Ela esticou o tom: — Ahhh... — O olhar direcionado a Gabriel trazia um ar de provocação. — O irmão da Srta. Arantes me parece um tanto familiar.
Familiar?
O olhar de Marisa alternou entre os dois. Ela se lembrou de Júlia dizendo que Vivienne também vinha da Ilha das Flores, pensando que talvez os dois se conhecessem.
Ela disse: — Então talvez já tenham se esbarrado por aí.
— Olá, Sr. Arantes. O modo de chamar está correto, certo? — Ela olhou para Marisa, que assentiu levemente.
Ela estendeu a mão para Gabriel. — Você me parece familiar. Não sei se já nos vimos.
Gabriel observou a mão na sua frente, abaixou as pálpebras e escondeu o desprazer.
Apenas virou a cabeça e disse a Marisa: — Tenho coisas na empresa. Vou indo.
Do começo ao fim, não deu a mínima para Jade.
Vendo ele se afastar sem dar atenção à convidada, Marisa sorriu sem graça e explicou: — Meu irmão quase nunca age assim com ninguém. Talvez ele tenha uma urgência mesmo. Não se importe com isso, senhorita Vivienne.
Jade sorriu, recolheu a mão e esfregou a ponta dos dedos na palma.
E respondeu: — Sem problemas.
Seu olhar continuava fixo na curva do corredor. Vendo o jeito tenso dele de agora há pouco, ela sabia que ele tinha se irritado.
Ela bufou baixinho. E daí?
Aqui, o que ele ousaria fazer com ela?
Marisa conduziu Jade até a sala de recepção, perguntou o que ela precisava e apresentou de modo profissional os modelos da loja.
Como esperado, poucos minutos depois, chegou uma mensagem no celular dela.
"É bom que você consiga explicar muito bem o que está fazendo aqui."
Ela olhou para a tela e riu levemente, com a certeza de quem ia ganhar.
Levantou os olhos para Marisa à sua frente e, depois, com um toque do dedo, desligou a tela.
Ela adorava vê-lo naquele desespero.



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