Mais tarde, aquela mulher lhe deu uma explicação. Era porque ele odiava ela e a sua mãe, e que ele apenas fingia tratá-la bem.
Mas ela não acreditou. Ela sentia que conseguia ver o amor nos olhos do pai. Ela não queria ouvir a opinião dos outros sobre ele.
O que aquela mulher estrangeira sabia? Há quanto tempo ela conhecia o seu pai para entender a força do sentimento daquela família de três pessoas?
Então, ela foi até o pai e pediu desculpas, dizendo que não deveria ter falado com ele naquele tom. Ela achou que o pai a abraçaria para confortá-la como antes, dizendo que ela não estava errada e que ele é quem havia sido muito duro e a assustado.
Mas não foi o que aconteceu. Ele não demonstrou o menor pingo de arrependimento. Ele lhe disse que a sua mãe havia sido morta pela família Valli, que a família Valli havia separado a sua família, e que eles eram os responsáveis pela destruição do seu lar.
Ela tentou explicar, dizendo que o incêndio tinha sido um acidente, e que a sua mãe havia morrido porque tentou salvar a Sra. Célia.
Mas ele a repreendeu, chamando-a de estúpida por não conseguir distinguir quem eram os inimigos. Chegou a trancá-la dentro do quarto, obrigando-a a ficar lá refletindo até aprender a falar com cautela.
No fim, sem forças de tanta fome, ela implorou chorando, e só então ele a soltou e lhe deu comida.
Ele só fez uma exigência a ela: dar um jeito de ocupar o lugar de senhora Valli.
Ela sabia o que ele queria.
O santuário era um lugar úmido e gelado, um vento frio subindo do chão de pedra e arrepiando a pele. Débora permaneceu ajoelhada e imóvel, sem sequer curvar as costas.
—
Quando Lorenzo chegou em casa, a babá já havia saído. Ele havia pedido para que ela deixasse uma luz acesa ao ir embora.
Ele abriu a porta. Continuava sendo uma casa vazia e fria.
Ele trocou os sapatos, entrou e pendurou o casaco no cabideiro.
O cheiro de abeto no corredor havia enfraquecido. O frasco do aromatizador já estava no fim.
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