Marisa passou os últimos dias trabalhando duro na semifinal. As roupas já estavam feitas, mas ainda precisava de uns ajustes menores.
De manhã, ela recebeu uma ligação da Residência Valli. Otávio pediu que escolhessem uma data para voltarem e comerem juntos.
Para evitar complicações desnecessárias, Marisa respondeu com vaguidão. Ela disse que Lorenzo estava meio ocupado nesses dias e voltariam quando tudo acabasse.
Não aprendeu muito ficando ao lado de Lorenzo, mas a sua habilidade para enrolar os outros melhorou consideravelmente.
Quando um problema não conseguia ser resolvido, ela apenas o jogava para longe e, com o tempo, acabava esquecendo.
Mas não esperava que menos de meia hora depois de desligar, o telefone de Lorenzo tocasse.
— Eu disse pro velho que estava muito ocupado?
Marisa fazia os pontos de costura com muita atenção, um a um. Deixou o telefone no canto da mesa e, em tom calmo, disse: — O que mais eu devia dizer?
O outro lado gemeu em tom baixo: — Você é mesmo especialista em jogar a culpa em mim para se livrar dos problemas. Fez o velho me repreender por nada.
A linha de algodão transpassou o tecido. Marisa se levantou para olhar, assentiu e pegou a tesoura ao lado para cortar os moldes.
— E eu deveria dizer diretamente ao velho que íamos nos divorciar e que não voltaríamos mais lá para comer?
As palavras de Marisa deixaram o homem do outro lado da linha calado por alguns segundos. E então ouviu-se uma voz dura e fria: — Você pode tentar.
Tentar?
Ele estava tentando intimidá-la?
Marisa ignorou o que ele disse, olhou para a data no celular, pensando na semifinal que seria no dia seguinte. Se tudo corresse bem, a final seria em um mês e meio.
Era muito tempo.
Ela disse: — Arrume um tempo na próxima semana para irmos ao cartório e resolvermos esse assunto o mais rápido possível.
Lorenzo: — Não terei tempo semana que vem.
Marisa: — Então, na semana seguinte.
Lorenzo: — Não sei sobre a semana seguinte. Meu assistente avisa se a agenda estiver livre.
Marisa parou com os movimentos das mãos e franziu a testa: — Você acha que fugir vai resolver as coisas?
— Não estou fugindo, estou falando fatos.
Ela segurou o celular sentindo a testa latejar: — Lorenzo Valli, como eu não descobri que você era esse tipo de pessoa antes?
A voz de Lorenzo era grave: — Que tipo de pessoa eu sou?

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