— Gravação?
Marisa ia esticar a mão, mas foi interrompida por Gabriel.
— Você tem certeza de que quer ouvir? Esta gravação pode...
Marisa, ao ver a expressão do homem à sua frente, ficou confusa.
Ela sorriu: — O que foi? Tem algum segredo chocante aí dentro?
— Marisa. — Gabriel olhou para ela. — Tem coisas sobre você aqui. Tenho medo de que você se sinta mal ao ouvir.
— Quanto mais você fala assim, mais curiosa eu fico.
Ela pegou o celular e, quando estava prestes a apertar o botão de reproduzir, Gabriel falou de novo.
— A gravação é da sala de detenção.
— Hum.
— Marisa, depois que você ouvir, se quiser ir atrás dele, não vou te impedir.
Marisa levantou a cabeça e olhou para ele: — Você quer dizer que preferia que eu não fosse atrás dele?
Gabriel não negou.
Marisa não disse mais nada. Aumentou o volume do celular e apertou o botão de reproduzir.
Primeiro veio um ruído, seguido pelo som de uma mulher chorando.
Logo em seguida, a voz familiar ecoou.
— Então alguém mandou você fazer isso?
Marisa franziu as sobrancelhas na mesma hora. Como ela esperava... a situação não era tão simples.
Houve alguns segundos de silêncio do outro lado, e a voz do homem soou novamente.
— Eu prometo, se você der informações úteis e entregar quem está por trás disso, eu entro em um acordo no lugar de Marisa.
Os cílios de Marisa tremeram.
— Eu providenciarei sua ida para o exterior e darei dinheiro suficiente para você e seu filho viverem sem preocupações pelo resto da vida.
Por um momento, ela achou que tinha ouvido errado e puxou a barra de progresso alguns segundos para trás.
— Eu prometo, se você der informações úteis e entregar quem está por trás disso, eu entro em um acordo no lugar de Marisa.
— Acordo no lugar de Marisa.
Marisa afastou o celular do ouvido, segurando-o atônita.
A tela continuava acesa, a gravação prosseguia, mas seu cérebro parecia incapaz de pensar.
Ela estava tentando processar as palavras de Lorenzo.

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