Pelo que conhecia do pai, ele jamais colaboraria com o tio Vicente apenas por colaborar.
Era provável que pensasse em usar o tio Vicente primeiro para se infiltrar na família Valli e, depois de conseguir o que queria, o chutaria para escanteio sem piedade.
Mas... e o Lorenzo?
Como se guiada por forças ocultas, Débora subiu para o segundo andar.
Ela pisava bem leve e encostou o ouvido na porta, tentando ouvir se conseguia captar algum som lá de dentro.
— Fui encontrar aquele sino-americano de sobrenome Solaris.
— E o que ele disse?
— Da última vez, aquele moleque do Lorenzo irritou o homem. Agora, ele balança a cabeça negativamente só de ouvir sobre a família Valli.
— Empresários não estão sempre atrás de lucro? Contanto que você o alimente o suficiente, tem medo de que ele não coopere?
O som atravessava a porta grossa, e as palavras não eram muito claras.
Outra voz soou de dentro.
— O velho Otávio guarda um documento com provas que podem acabar com o domínio dele? Precisamos colocar as mãos nesse material para tirá-lo do poder.
— Além disso, não somos os únicos que querem derrubar o Lorenzo.
As vozes foram ficando mais baixas. Débora já tinha um suor fino na testa e ainda assim não conseguia escutar com clareza.
Deixa pra lá, não seria bom se fosse descoberta.
Ela suspirou de leve e deu passos lentos para trás.
Assim que se virou, deu de cara com uma figura.
Débora correu para cobrir a boca e não fazer barulho nenhum.
— O que a senhorita está fazendo?
A pessoa à sua frente cerrou os olhos e a observou com um olhar inquiridor.
— Está espionando as conversas do senhor?
Um pânico passou pelos olhos de Débora. Ela ofegou, com o tom encolhido.
— I... irmão Silas.
Ela engoliu em seco, muito assustada, e seus olhos corriam desesperados por todos os lados sem saber onde olhar.
— Eu não fiz de propósito. Você poderia não contar isso ao meu pai?
O homem continuou imóvel. Ela piscou, com os olhos marejados.

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