O olhar fixou no rosto de Marisa. Nas sobrancelhas, nos olhos, e então na boca.
Era a mesma aparência de sempre.
Mas...
— Deixa pra lá.
O medo bateu. E ele preferiu não ouvir mais nada desagradável sair daquela boca.
Porque, vez após vez, aquelas mesmas palavras sempre vinham, dizendo que ela não o amava mais.
Um lembrete constante de que o que eles tinham logo chegaria ao fim.
Hoje em dia, ele não tinha coragem sequer de falar demais com ela, com medo de afastá-la ainda mais.
— Não foi nada. Pode descansar.
Lorenzo se levantou, deu uma última olhada nas maçãs, que já tinham ficado escurecidas, e saiu do quarto.
O som de alguma coisa caindo no lixo soou nas suas costas, e ele deu uma leve freada.
Abaixou a cabeça, escondendo qualquer emoção no rosto, e passou pela porta.
—
O concurso final iria começar às dez e meia da manhã. Marisa já tinha deixado tudo preparado bem antes.
O Dr. Arthur já tinha deixado as enfermeiras avisadas. O soro terminou antes das dez, e todos os exames foram adiados.
O ferimento no pulmão de Marisa não era grande, a recuperação estava rápida e ela já conseguia se sentar.
A equipe médica tinha falado que o quadro era bom e que ela podia tentar andar um pouco.
Ao considerar o estado de saúde da competidora, o comitê organizador decidiu colocar Marisa como a primeira a se apresentar.
O evento seria transmitido ao vivo pela internet. O site oficial abriu uma votação pública, que compunha vinte por cento da nota final.
Mesmo depois de um mês, a audiência do evento não havia caído, muito pelo contrário. Com o acidente, os acessos voltaram a bater recordes.
Assim que o canal oficial abriu a live, duzentas mil pessoas entraram de uma vez, os comentários fervendo de mensagens cobrindo a tela.
Diferente da torcida barulhenta no palco presencial, o padrão da grande final era outro.
Uma transmissão inteira em HD. Notas dos jurados, votação pública em tempo real, e a audiência inteira ali online.

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