Marisa não sabia a que momento Lorenzo tinha aparecido ali, nem o quanto ele tinha escutado.
Que fosse.
Se escutou, não havia nada a fazer, o que mais ele faria contra ela?
Marisa desviou os olhos e começou a caminhar para dentro.
No momento em que passaram um pelo outro, seu pulso foi agarrado.
As pálpebras do homem caíam, era difícil ler sua expressão facial, mas Marisa sabia que o humor dele com certeza não estava bom.
— O que você disse... foi de coração? — A voz estava estrangulada e rouca.
Marisa olhou à frente, seu rosto com uma calma que nunca houvera.
Ela retrucou com frieza: — Sim, cada palavra veio de coração.
— Marisa.
A força na mão aumentou um pouco, Marisa tentou soltar-se, mas em vão.
Marisa virou a cabeça para encarar o homem ao lado.
— O que foi? Você tem um coração tão sensível que não aguenta ouvir a verdade sobre nós dois?
Ela riu de leve: — Então você pode simplesmente fingir que não ouviu, não é isso que você faz de melhor?
Ignorar os sentimentos dela, ignorar o que ela precisava, ignorar tudo nela.
Ignorar até mesmo ela como pessoa.
— Aquilo tudo era coisa dita na raiva, não é? Você estava zangada por causa do rosário na mão da Débora.
Ele a observou, os olhos pregados.
Como se quisesse encontrar uma brecha no rosto dela, de que só havia dito aquilo porque tinha sido pressionada ao limite por Débora.
— Não.
— Eu não acredito.
Ele não conseguia acreditar que aquela pessoa que era tão gentil e que sempre colocava ele como prioridade, falaria coisas como aquelas.
— Eu já falei que não.
Marisa bateu no braço dele abruptamente e a força de seu movimento fez com que o corpo de Lorenzo cambaleasse.
Ela fixou o olhar no homem, sua voz carregava uma rigidez que ela nunca utilizara.
— Nenhuma única palavra dita de cabeça quente do início ao fim, é isso o que eu sinto.
— Você quer ouvir? Pois bem, eu repito para você.
Lorenzo a interrompeu: — Cale a boca.

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