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Seis Anos em Vão romance Capítulo 77

O toque de Arthur não era de desejo, era de posse. As palavras dele não eram de amor, eram correntes.

A humilhação, a raiva e a dor de meses de abuso finalmente transbordaram.

Num movimento rápido, Clara ergueu a mão e o estapeou. O som ecoou na cozinha silenciosa, mais chocante do que qualquer grito.

Arthur recuou um passo, mais surpreso do que magoado. A mão em seu rosto, onde a marca vermelha começava a se formar.

— Não me toque. — a voz de Clara era um sussurro trêmulo, mas carregado de uma força final. — Nunca mais.

As lágrimas que ela havia segurado por tanto tempo finalmente escorreram por seu rosto.

— Por quê? — ela perguntou, a voz se quebrando. — Por que você faz isso?

— Por que você sempre assume o pior de mim? Por que você sempre acredita nas mentiras, nas manipulações, e nunca, nem uma única vez, olhou para mim e viu a verdade?

Ele a encarou, sem resposta. A dor crua dela o deixou sem palavras.

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