O toque de Arthur não era de desejo, era de posse. As palavras dele não eram de amor, eram correntes.
A humilhação, a raiva e a dor de meses de abuso finalmente transbordaram.
Num movimento rápido, Clara ergueu a mão e o estapeou. O som ecoou na cozinha silenciosa, mais chocante do que qualquer grito.
Arthur recuou um passo, mais surpreso do que magoado. A mão em seu rosto, onde a marca vermelha começava a se formar.
— Não me toque. — a voz de Clara era um sussurro trêmulo, mas carregado de uma força final. — Nunca mais.
As lágrimas que ela havia segurado por tanto tempo finalmente escorreram por seu rosto.
— Por quê? — ela perguntou, a voz se quebrando. — Por que você faz isso?
— Por que você sempre assume o pior de mim? Por que você sempre acredita nas mentiras, nas manipulações, e nunca, nem uma única vez, olhou para mim e viu a verdade?
Ele a encarou, sem resposta. A dor crua dela o deixou sem palavras.

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