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Seis Anos em Vão romance Capítulo 72

O cheiro de desinfetante e ansiedade no pronto-socorro era familiar para Arthur.

Isabela já havia sido atendida; foi uma concussão leve, nada grave.

Enzo, milagrosamente, não tinha um arranhão, mas estava apegado à mãe, chorando e assustado.

— Papai, não vai embora. — Enzo soluçou, agarrando a mão de Arthur. — Fica com a gente.

Isabela, deitada na maca, o cabelo perfeitamente despenteado, olhou para ele com olhos marejados. — Arthur, eu sei que você tem seu compromisso... não precisa ficar.

A performance era magistral. A mãe nobre, disposta a sofrer sozinha. A criança aterrorizada, implorando por seu herói.

— Eu fico. — disse Arthur, a decisão pesando em seu peito como chumbo. — Vou ficar aqui até vocês terem alta.

Enquanto isso, no restaurante Terraço Itália, o clima havia passado de festivo para fúnebre.

Eram nove horas, e Arthur Montenegro não havia chegado. Pior, ele não havia ligado.

A mesa dos parentes, antes cheia de admiração invejosa, agora fervilhava com sussurros maliciosos.

— Que tipo de homem faz isso? Nem uma ligação? — sussurrou uma tia.

— Eu disse que esse casamento era estranho. — comentou um primo.

Geraldo Mendes, o pai de Clara, estava vermelho de humilhação. Ele havia se gabado por semanas sobre seu genro poderoso.

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