O cheiro de desinfetante e ansiedade no pronto-socorro era familiar para Arthur.
Isabela já havia sido atendida; foi uma concussão leve, nada grave.
Enzo, milagrosamente, não tinha um arranhão, mas estava apegado à mãe, chorando e assustado.
— Papai, não vai embora. — Enzo soluçou, agarrando a mão de Arthur. — Fica com a gente.
Isabela, deitada na maca, o cabelo perfeitamente despenteado, olhou para ele com olhos marejados. — Arthur, eu sei que você tem seu compromisso... não precisa ficar.
A performance era magistral. A mãe nobre, disposta a sofrer sozinha. A criança aterrorizada, implorando por seu herói.
— Eu fico. — disse Arthur, a decisão pesando em seu peito como chumbo. — Vou ficar aqui até vocês terem alta.
Enquanto isso, no restaurante Terraço Itália, o clima havia passado de festivo para fúnebre.
Eram nove horas, e Arthur Montenegro não havia chegado. Pior, ele não havia ligado.
A mesa dos parentes, antes cheia de admiração invejosa, agora fervilhava com sussurros maliciosos.
— Que tipo de homem faz isso? Nem uma ligação? — sussurrou uma tia.
— Eu disse que esse casamento era estranho. — comentou um primo.
Geraldo Mendes, o pai de Clara, estava vermelho de humilhação. Ele havia se gabado por semanas sobre seu genro poderoso.

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