A notícia de que o grande Arthur Montenegro iria agraciar a festa de aniversário de Thiago com sua presença jogou a família Mendes em um frenesi. Lúcia imediatamente ligou para todos os parentes que não havia convidado, desde primos distantes a tias-avós. Geraldo, o pai de Clara, gastou uma pequena fortuna para garantir que o restaurante servisse o melhor vinho e os pratos mais caros. A noite não era mais sobre celebrar os vinte e um anos de Thiago; era sobre exibir seu genro bilionário.
No sábado, horas antes do jantar, Arthur ligou para Isabela.
—Estou passando aí para ver o Enzo. — ele disse, a voz neutra.
—Que maravilha, querido! — a voz de Isabela era pura alegria. — Vou preparar um almoço especial para nós!
O "almoço em família" foi uma cena de domesticidade cuidadosamente encenada por Isabela. Ela cozinhou os pratos favoritos de Arthur, riu de suas piadas e incentivou Enzo a mostrar seus novos desenhos. Ela estava se esforçando ao máximo para lembrá-lo do que ele estava perdendo, da família feliz que poderiam ser.
—Papai, posso beber um pouco do seu suco vermelho? — Enzo perguntou, apontando para a taça de vinho de Arthur.
—Isso não é suco, campeão. É para adultos. — Arthur sorriu, afagando o cabelo do menino.
Mas Enzo era uma criança teimosa. Fazendo beicinho, ele se esticou sobre a mesa para pegar a taça. Seus dedinhos desajeitados esbarraram no cristal. A taça virou, e um jato de vinho tinto voou diretamente para as calças de cor clara de Arthur.
—Oh, meu Deus! Enzo! — Isabela exclamou, pulando para pegar guardanapos. A repreensão em sua voz era puro teatro.
O menino, assustado, começou a chorar.

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