O jantar continuou em um silêncio tenso. Arthur tentou puxar conversa, falando sobre o mercado, sobre um novo investimento. Clara respondia com monossílabos. "Sim." "Não." "Interessante." Ela comia sua comida, bebia seu vinho, mas seus olhos estavam distantes, sua presença era um fantasma na mesa.
A indiferença dela era uma forma de tortura que ele não sabia como combater. A raiva dele, os gritos dela, as brigas... tudo isso era familiar. Aquele vazio gelado, no entanto, o desequilibrava. Ele estava acostumado a ser o centro do universo de todos, seja por amor, medo ou ódio. Ser ignorado era um insulto que seu ego não conseguia processar.
—Você não tem nada a dizer? — ele finalmente explodiu, jogando o guardanapo sobre a mesa.
Clara ergueu os olhos de seu prato, a expressão genuinamente surpresa.
—Sobre o quê?
A pergunta, tão desprovida de emoção, o enfureceu ainda mais. Ele se levantou abruptamente, a cadeira arrastando ruidosamente no chão de madeira.
—Esqueça. Perdi o apetite.
Ele saiu da sala de jantar, deixando-a sozinha com a refeição cara e as velas bruxuleantes.
No dia seguinte, no hospital, Isabela começou seu reinado de terror mesquinho. Assim que Clara chegou, foi convocada ao escritório da chefe. O antigo escritório de Clara. Isabela o havia redecorado com flores frescas e fotos dela com Enzo.
—Clara, que bom que chegou. — disse Isabela, com um sorriso que não alcançava seus olhos. Ela estava recostada em sua cadeira de couro, saboreando seu novo poder. — Tenho uma tarefa urgente para você.

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