O ar no quarto privativo do Hospital da Colina estava calmo. Clara sentou-se ao lado da Sra. Queiroz, lendo um livro de poemas em voz alta. A mulher mais velha a ouvia, um sorriso sereno no rosto, ocasionalmente chamando-a de "Nina".
— Sua voz é tão linda, minha filha. — disse a Sra. Queiroz. Ela pegou a mão de Clara que descansava sobre a cama, afagando-a com carinho.
Seus dedos traçaram o contorno da mão de Clara e pararam.
Seu olhar caiu sobre o pulso dela. Sobre a pequena pinta vermelha.
O sorriso sereno no rosto da Sra. Queiroz se desfez. Seus olhos se arregalaram. A confusão em sua mente de repente deu lugar a uma clareza chocante e dolorosa.
Ela agarrou a mão de Clara, trazendo-a para mais perto de seus olhos, o corpo tremendo.
— A marca... a marca do anjo...
As lágrimas começaram a escorrer por seu rosto, não de confusão, mas de um reconhecimento de partir o coração.
— Nina? — ela sussurrou, a voz se quebrando. — É você? NINA! MINHA NINA!
Ela começou a soluçar, um grito de dor e alegria de décadas, agarrando-se a Clara como se sua vida dependesse disso.

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