Ela vomitou no terno novo de Lucian, que imediatamente franziu a testa.
Já sem forças, Florence encostou-se no carro enquanto seu corpo estremecia, agora vomitando apenas ácido gástrico.
Cláudio aproximou-se rapidamente e estendeu a mão:
— Sr. Lucian, deixe-me ajudar a Srta. Florence.
Lucian tirou o paletó sem hesitar:
— Não precisa.
Ele lançou um olhar de desprezo para Florence, mas, mesmo assim, pegou-a no colo e a levou para dentro da casa.
Sem cerimônias, ele a colocou diretamente no banheiro. Assim que a sentou sobre a bancada, começou a tirar suas roupas sujas de vômito.
— Não! Não! — Florence tentou empurrá-lo, mas sua fraqueza era evidente; não tinha a menor chance contra ele.
Lucian, com a expressão impassível, despiu-a completamente. Sob a luz do banheiro, os vestígios da noite anterior ficaram expostos em sua pele.
Florence sentiu uma onda de vergonha avassaladora. Tentou cobrir o corpo, mas Lucian segurou seus pulsos com firmeza.
Quando levantou o rosto, seus olhos encontraram os dele, agora escuros e intensos.
Lucian não lhe deu a menor chance de resistência, empurrando seus joelhos para o lado e se aproximando de seu corpo.
O corpo de Florence tremia instintivamente, rejeitando-o com cada fibra.
Lucian franziu a testa e, de repente, pegou uma toalha sobre a pia. Limpou as mãos com indiferença e disse:
— Não me interesso por mulheres que acabaram de vomitar.
Ao ouvir isso, Florence sentiu um leve alívio, mas seu corpo cedeu ao cansaço, desabando nos braços dele.
Lucian olhou para ela com a testa franzida. Seu rosto pálido, coberto de suor frio, mostrava o quanto estava debilitada.
— Ainda está com o estômago ruim?
Florence assentiu levemente, incapaz de proferir uma palavra sequer.
Lucian suspirou, irritado:
— Que fraqueza.
Ela não respondeu, apenas fechou os olhos, sentindo a tontura e o mal-estar aumentarem. Não esperava que Lucian a tratasse bem, mas estava tão exausta e desconfortável que mal conseguia pensar.
De repente, ela sentiu algo quente e úmido tocar sua bochecha — uma toalha, que passou pela pele e desceu pelo corpo, limpando-a com delicadeza. A sensação era tão reconfortante que ela se aconchegou instintivamente.
A toalha parou. Logo acima de sua cabeça, uma voz baixa e perigosa soou:
— Hoje eu vou deixar passar.
Na sequência, Lucian a pegou nos braços novamente e a colocou na cama.
Quando Florence recobrou os sentidos, viu que ele tinha uma tigela de mingau de abóbora, preparado pela empregada.
Com os dedos longos e elegantes, Lucian segurava a colher e mexia o mingau. Sua expressão era insondável, os olhos semicerrados. O gesto parecia cuidadoso, mas havia nele um toque de dominação fria.
Florence sabia que aquilo não era preocupação. Ele não se importava com ela; só não podia deixá-la morrer.
Quando finalmente se sentiu um pouco melhor, ele trouxe uma colher de mingau até seus lábios. Ela hesitou, mas acabou abrindo a boca. Contudo, antes que pudesse engolir, o celular de Lucian tocou.
Ele atendeu, e uma voz feminina desesperada ecoou do outro lado:
— Lucian, me ajude! Alguém publicou na internet que fui eu quem te drogou ontem à noite. Estão me chamando de sem vergonha, dizendo que sou vulgar e que faço coisas inaceitáveis... Eu estou sendo seguida! Estou com tanto medo...
Era Daphne, chorando.
Lucian ouviu tudo com atenção, mas seus olhos gelados pousaram diretamente em Florence, carregados de suspeita. Suas sobrancelhas franzidas revelavam uma fúria contida, e sua presença parecia esmagadora.
Ele acreditava que tinha sido Florence.
— Espere por mim. — Disse ele, com uma suavidade que só Daphne recebia.
Mas, ao desligar a ligação e voltar sua atenção para Florence, a frieza retornou. Ele pegou a tigela de mingau e, sem aviso, pressionou-a contra as mãos dela. A louça quente queimava seus dedos, e ela quase deixou cair.
Segurando sua mão com força, ele murmurou com um tom gelado:
— É melhor você torcer para que nada aconteça com Daphne.
— Já vou fazer isso.
Após desligar, Florence abriu o formulário e o preencheu com rapidez. Ao clicar em "enviar", suas mãos tremiam levemente.
Esta seria a primeira vez que ela tomava as rédeas de sua própria vida.
Com o coração acelerado, ela apertou o celular contra o peito e murmurou:
— Estela, eu prometo. Nesta vida, sua mãe vai se tornar uma grande designer. Eu vou viver por mim mesma!
Depois de se recompor, Florence organizou suas coisas e limpou qualquer vestígio de sua presença na casa. Colocou a mochila nas costas e partiu.
Ela decidiu passar alguns dias na universidade. Felizmente, os formandos tinham um prazo para permanecer no campus enquanto buscavam emprego.
…
Ao sair do metrô, Florence avistou um aglomerado de pessoas na entrada da universidade. No meio da multidão, um luxuoso Maybach 62S chamava atenção, mesmo tentando passar despercebido.
A porta do carro se abriu, e Daphne desceu com um vestido azul esvoaçante, cada movimento calculado para exibir sua elegância.
Se fosse no passado, cada vez que Daphne aparecia, todos a admiravam.
Mas agora, os olhares das pessoas se tornaram estranhos, e até surgiram vários paparazzi do nada.
— Srta. Daphne, a pessoa nas fotos é você? O Sr. Lucian já propôs casamento, então por que você o drogaria? Será que a família Avery não aprova o casamento?
— Srta. Daphne, vocês estão juntos há anos e agora você está se formando. Está tentando usar um filho para se casar? Ou o relacionamento acabou?
Daphne recuou, fingindo medo, enquanto balançava a cabeça.
— Não... Eu não...
Lucian saiu do carro e a envolveu com um braço, protegendo-a enquanto enfrentava os flashes. Seu olhar, embora normalmente frio, suavizou-se ao encarar Daphne.
Florence observou tudo em silêncio, sem se importar. Virou as costas e seguiu seu caminho.
Lucian finalmente estava com quem amava. Era o que ela queria...
Mas não percebeu que Lucian, ao vê-la desaparecer na multidão, deixou transparecer um olhar profundo. Havia algo nele — um desejo possessivo, uma força que dizia que Florence ainda era sua.

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