Florence olhou para a última colega de quarto, que, nervosa, balançou as mãos e gaguejou:
— Eu... Eu não preciso voltar pra casa também, né? Não é possível!
Florence, com a cabeça rodando de leve por causa da bebida, respondeu:
— Faz o que quiser.
E então, com um movimento brusco, Florence deixou a cabeça cair sobre a mesa. Estava definitivamente bêbada.
As três colegas caíram na risada.
— Quem diria que a Florence, além de linda, podia ser tão fofa?
— Se não fosse a língua venenosa da Rosana espalhando coisa ruim por aí, como que a Daphne teria se tornado a "rainha da escola"? Isso era pra ser da Florence.
— Ei, já são oito e meia! Melhor a gente voltar pro alojamento.
As três levantaram Florence com cuidado, rindo e conversando animadas enquanto caminhavam de volta.
Florence apoiava-se nas colegas, sentindo-se finalmente em paz. Não estava tão bêbada a ponto de perder a consciência, mas pela primeira vez em muito tempo, sentia algo que poderia chamar de segurança.
As quatro seguiram pelo caminho, falando coisas sem sentido, mas felizes. Até o vento frio de outono parecia trazer uma leve brisa quente daquela noite descontraída.
De repente, uma das colegas parou, olhando para o céu:
— Gente, olha só essa noite! Que céu lindo!
As outras três automaticamente levantaram os olhos. A noite estava realmente clara. O céu brilhava com uma lua radiante, e as estrelas pareciam mais próximas do que nunca. Vistas pelos galhos das árvores, as estrelas pareciam penduradas nos ramos, enquanto as folhas formavam contornos que lembravam fios de cabelo.
Para Florence, aquela visão trouxe a lembrança mais preciosa de sua vida. Foi como ver sua filha Estela sorrindo novamente.
— Mamãe, mamãe... Se um dia você tiver outra chance, não desista dos seus sonhos, tá? Nem por mim. Quero que você fique bem, mamãe.
Uma folha seca caiu, pousando suavemente no rosto de Florence, escondendo as lágrimas que escorriam por sua saudade. As palavras da filha ecoavam em sua mente.
Florence abriu um sorriso. Um sorriso que parecia iluminar ainda mais aquela noite. No fundo, ela sabia que precisava honrar a memória de Estela. Não podia decepcioná-la.
De repente, uma ideia passou pela mente de Florence, tão clara que a sobriedade voltou no mesmo instante. Ela inclinou a cabeça para trás, encarando o céu com um olhar fixo.
As três colegas notaram e, curiosas, pararam ao lado dela, imitando seu gesto.
— O que você tá olhando, Florence? — Perguntou uma delas.
— Não sei, mas tô ficando com torcicolo. — Brincou outra.
As três colegas de Florence trocaram olhares, claramente incomodadas, mas Florence levantou a mão, pedindo que elas entrassem primeiro.
Depois que a porta foi fechada, Rosana se aproximou rapidamente, segurando o braço de Florence. Ela falou em um tom baixo, quase sussurrando:
— Elas não te disseram nada, né?
Florence esfregou a testa, fingindo confusão:
— Dizer o quê?
Rosana hesitou. Seu tom ficou mais insinuante:
— Sobre como elas falam mal de você pelas costas. Eu sempre defendi você, mas sabe como é... Sou só uma pessoa contra várias. Flor, acho que seria melhor você se afastar delas.
Florence não tinha paciência para isso. Ela a encarou e respondeu calmamente:
— Interessante. E você, Rosana, não ficou falando mal de mim para o João na internet? Não tô entendendo você.
Ela havia dito isso de propósito, e a reação de Rosana foi instantânea. O rosto dela ficou pálido, mas, ao levantar os olhos novamente, ela já havia trocado a expressão por uma de choro.
— Me desculpa, Flor. Eu só fiz isso porque estava sem dinheiro. O João me enganou... Por favor, me perdoa. Lembra de todas as vezes que eu te ajudei? Me dá mais uma chance.

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