Florence passou a mão pelo paletó que acabara de vestir e, ao apertá-lo um pouco, conseguiu espremer água. Mas ela tinha acabado de colocá-lo! Como poderia estar tão molhado?
Ela virou o rosto para Lucian e percebeu que o lado esquerdo dele estava completamente encharcado. A camisa branca estava grudada em seu corpo, revelando as linhas perfeitas e atraentes de seus músculos.
“O que tinha acontecido?” Ela se perguntou, confusa.
No trajeto, Lucian pediu ao motorista que aumentasse o aquecimento do carro. Em seguida, ele bateu duas vezes no painel traseiro, indicando algo ao motorista.
O corpo de Florence, que estava gelado, começou a sentir o calor vindo de todas as direções. Até o banco onde ela estava sentada parecia aquecido. Mesmo assim, ela abaixou a cabeça, sem conseguir entender qual era o verdadeiro propósito de Lucian.
Depois de rodar por algum tempo, o carro finalmente parou. Florence percebeu, com um nó na garganta, que ele havia a levado de volta ao apartamento onde tudo tinha acontecido.
— Vá tomar um banho. — Disse Lucian, enquanto pegava um par de chinelos femininos no armário e os entregava para ela.
Florence olhou para os chinelos e imediatamente se lembrou dos itens pessoais que tinha visto na casa de Daphne. Era óbvio que aqueles chinelos pertenciam a ela.
— Não vou usar isso. — Respondeu Florence, recusando. Ela entrou descalça no apartamento, sentindo o chão frio sob os pés. Cada passo a fazia arrepender de sua escolha, e ela quase começou a andar na ponta dos pés.
Lucian observou a cena com as sobrancelhas levemente erguidas, mas permaneceu em silêncio.
Florence se trancou no banheiro e, ao sentir o frio intenso no corpo, espirrou duas vezes seguidas. Ela sabia que não podia se dar ao luxo de ficar doente, especialmente com a competição se aproximando. Por isso, tomou um banho quente, deixando que a água aquecesse seu corpo e acalmasse sua mente.
Ao terminar o banho, Florence percebeu que havia cometido um grande erro: não tinha levado toalha, nem roupão, muito menos roupas limpas. Ela ficou parada por alguns segundos, nua, encarando o vazio.
“Se eu vestir as roupas molhadas de novo, o banho terá sido inútil. Pior, ainda vou acabar pegando um resfriado com o choque de temperaturas.”
Ela olhou para a porta do banheiro, relutante. Por fim, decidiu deixar o orgulho de lado e chamou:
— Tio?
Não houve resposta.
— Tio Lucian! — Ela gritou um pouco mais alto.
Ainda assim, ninguém respondeu.
“Ele está fazendo isso de propósito.” Pensou Florence, frustrada.
Seus olhos pousaram no celular em cima da pia. Depois de hesitar por alguns segundos, ela discou o número dele.
— Achei que você não gostasse de me ligar. — A voz de Lucian soou do outro lado da linha, rouca e levemente provocativa.
— Abra a porta.
Pouco depois, Florence abriu uma fresta da porta, apenas o suficiente para estender o braço e pegar o que ele trouxera. Quando ela puxou as roupas, viu que a peça de cima era... Uma cueca masculina.
— Tio, por que você me trouxe isso? — Perguntou ela, incrédula.
— Se eu tivesse uma calcinha feminina aqui, não seria ainda mais estranho? É nova. — Respondeu ele, casualmente.
Lucian estava encostado no batente da porta, segurando o restante das roupas. Mesmo sem mostrar todo o corpo, sua presença era avassaladora. Sem camisa, ele parecia ainda mais ameaçador. A força crua e a masculinidade que exalava eram opostas à compostura impecável que demonstrava quando usava terno.
Florence olhou para a cueca em suas mãos e murmurou:
— Eu… Eu não vou usar isso.
Ele estava fazendo isso de propósito para humilhá-la, poderia simplesmente pegar uma calcinha da Daphne para ela.
Lucian estreitou os olhos, seu olhar parecia imerso em uma escuridão profunda, impossível de ser vista até o fundo. Ele a observava em silêncio, como se fosse devorá-la, e finalmente, com a voz grave, disse:
— Então não use.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Renascida para a Vingança: O Preço do Amor e da Traição