Após algum tempo, Theo e Lucian saíram do quarto. Os dois caminhavam lado a lado, um de cada lado do corredor, suas presenças imponentes exalando autoridade.
Theo, com as mãos cruzadas para trás, falou em um tom calmo:
— Você passou a noite com a Daphne ontem?
— Sim. — Lucian respondeu sem hesitar.
Theo assentiu, satisfeito.
— Você já não é mais tão jovem. Está na hora de sossegar e construir uma família. Se a Daphne resolver a questão das minas, não precisa apertar demais a família Gonçalves.
— Entendido.
— Certo, não precisa me acompanhar. Volte para a Daphne e pare de se distrair. — Theo não disse muito, mas ficou claro que Lucian compreendeu o significado por trás das palavras.
Assim que as portas do elevador se fecharam, Cláudio surgiu de uma sala ao lado.
— Sr. Lucian, o mordomo de fato verificou as câmeras de segurança da estrada ontem à noite. Foi o Ronaldo.
Lucian caminhou até a janela e acendeu um cigarro. A fumaça se misturava ao ar enquanto ele permanecia em silêncio, o olhar meio fechado, escondido pela névoa que subia de seus dedos. Sua aura exalava perigo, uma tensão sombria que fez Cláudio estremecer. Era como se algo invisível e ameaçador estivesse prestes a ser liberado.
Cláudio engoliu em seco. Depois de hesitar, tirou um cachecol de trás de si.
— Sr. Lucian, a Florence jogou isso para mim e disse que, se o senhor der a ela de novo, ela vai queimar.
Lucian pegou o cachecol, sem demonstrar emoção alguma.
— Vamos.
— E a Daphne… — Cláudio apontou para o quarto dela, mas, ao encontrar o olhar gélido de Lucian, calou-se imediatamente e apertou o botão do elevador.
Ao descer, eles entraram no carro. Cláudio, apressado, tentou guardar o cachecol barato que estava no banco.
— Me dê isso. — Lucian ordenou, pegando o cachecol de Florence. Em seguida, entregou o seu próprio cachecol de lã de alta qualidade para Cláudio. — Guarde esse.
Cláudio ficou surpreso, mas não questionou. Ele cuidadosamente dobrou o cachecol de Lucian e o colocou em uma caixa.
Lucian abaixou o olhar, escondendo qualquer emoção em seus olhos. Com o polegar, começou a acariciar levemente o cachecol de Florence. O tecido sintético era um pouco áspero, mas parecia carregar algum tipo de resquício.
…
Florence caminhava com Lyra ao seu lado. Durante todo o trajeto, Lyra chorava sem parar.
Quando perceberam que estavam chamando atenção demais, decidiram parar em um pequeno jardim, longe do movimento.
— Para de chorar, mãe. Quem não sabe o que está acontecendo vai pensar que eu cometi algum tipo de crime.

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