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Renascida para a Vingança: O Preço do Amor e da Traição romance Capítulo 22

― Srta. Florence, como advogado, devo dizer com toda a responsabilidade que este é o melhor desfecho para você.

Magnus falou com leveza, como se tivesse certeza de que uma mulher sem apoio, como Florence, só pudesse aceitar o destino.

Florence fechou o discurso que segurava e ergueu o olhar, fixando-o em Dr. Magnus sem dizer uma palavra.

Sob aquele olhar límpido, Magnus sentiu-se, pela primeira vez em tempos, um tanto inseguro.

― Srta. Florence, por que está me olhando assim?

― Dr. Magnus, se bem me lembro, foi ajudando pessoas pobres sem cobrar que você acabou sendo perseguido e, por conta disso, ganhou o reconhecimento da família Avery, não foi?

A voz de Florence era calma, quase casual, mas as palavras atingiram Magnus como um golpe inesperado. Ele ficou surpreso. Aquela história era conhecida apenas por Lucian e Theo. Como ela sabia disso?

Porém, sendo um advogado experiente e acostumado a situações difíceis, Magnus rapidamente recuperou a compostura.

― E daí?

― E daí que, ao me dizer tudo isso, você realmente está em paz consigo mesmo? Deixando de lado o fato de que há muitas dúvidas sobre o caso de Daphne, como advogado, eu sei que você deve ter lido o dossiê de Gabriel. Sou diferente? Enquanto você me convence a aceitar a culpa com tanta retidão, já pensou que, se algo similar acontecer no futuro, ninguém mais acreditará nas vítimas? Você consegue olhar para o seu passado e dizer que não traiu a si mesmo?

A voz de Florence era tão baixa que parecia quase um sussurro, como se estivesse rindo.

Magnus ficou com o rosto pálido. Por um momento, pareceu buscar algo para dizer, mas tudo o que conseguiu foi:

― Srta. Florence, não precisa me colocar contra a parede.

Ele havia, no final das contas, cedido ao poder.

Florence levantou-se devagar.

― Tudo bem, eu aceito. Mas antes preciso garantir a segurança da minha mãe.

Talvez as palavras dela tivessem tocado Magnus. Ele hesitou por um instante, mas acabou entregando o celular.

Após alguns toques, Lyra atendeu.

― Mãe, está tudo bem?

― Está, está tudo bem. Não se preocupe.

A voz de Lyra soava rouca, como se tivesse chorado. Devia ter visto as notícias na internet e sabia da coletiva de imprensa.

― Mãe, eu também estou bem. Confie em mim, tá?

Florence entendeu e seguiu Magnus em direção à coletiva.

Coletiva de imprensa.

Assim que Florence entrou no salão, um ovo podre foi arremessado contra sua testa. Ela virou o rosto na direção de quem havia jogado. Era um dos fãs de Daphne.

Antes que Florence pudesse reagir, Daphne, com uma expressão de pânico, colocou-se na frente do fã, suplicando:

― Flor, por favor, não fique brava. Eles só estão preocupados comigo. Não foi por mal. Se estiver com raiva, pode descontar em mim, mas, por favor, não machuque meus fãs. Eu te imploro…

O tom choroso, carregado de uma melancolia quase teatral, soava como se Florence fosse capaz de exterminar uma família inteira com um único gesto.

Florence moveu-se ligeiramente, mas, antes que fizesse qualquer coisa, um braço firme se colocou na frente de Daphne, protegendo-a. Era Lucian. Sempre tão atencioso.

Os olhos de Florence pousaram sobre Lucian. Seu olhar era como folhas de outono caídas no chão: solitárias, carregadas de uma melancolia fria.

Sem dizer nada, ela limpou o ovo de seu rosto e, em seguida, ergueu o discurso que segurava, balançando-o levemente na direção de Lucian.

― Obrigada, querido tio, por ser tão atencioso.

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