Lyra chegou apressada à delegacia. Quando viu a mão de Florence, seu rosto ficou pálido de susto.
— O que aconteceu? Você acabou de sair do hospital e já se meteu em outra confusão? Florence, você é uma designer! Sua mão é fundamental!
Lyra entendia a importância daquilo. Lucian também não entenderia? Mesmo assim, ele havia chutado a faca na direção dela sem hesitar.
Se era assim, que continuassem com o jogo.
Florence ajeitou o cabelo, tentando manter a calma. Sua voz saiu firme:
— Não foi nada, mãe. Vamos direto ao ponto. Aquele assunto que pedi para você perguntar, conseguiu descobrir alguma coisa?
Lyra segurou a mão da filha com força, lágrimas escorrendo pelo rosto. Demorou alguns segundos para conseguir responder.
— Perguntei, sim. Espere, veja isso.
Ela pegou o celular da bolsa e mostrou algo apenas para Florence.
Após ler, Florence relaxou um pouco. Um leve sorriso surgiu em seus lábios.
— Eu sabia.
— E agora, Flor? — Lyra perguntou com a voz trêmula, preocupada. — O que vamos fazer? Mal resolvemos o problema com Gabriel, e agora isso. Com o temperamento do Theo, ele vai te expulsar da família sem pensar duas vezes.
— Não vai ser só isso. Será muito pior que uma simples expulsão. — Florence respondeu, trocando um olhar significativo com Lyra. As duas sabiam exatamente o que estava por vir.
Theo sabia sobre a noite que Florence e Lucian passaram juntos. O filho que ele havia treinado com tanto esforço para ser o herdeiro perfeito jamais poderia carregar uma mancha como aquela em seu nome. Ele estava apenas esperando o momento certo para eliminá-la.
Ela era como uma formiga nas mãos de pessoas como Gabriel e Daphne, pronta para ser esmagada a qualquer momento.
Ela fechou os olhos, sentindo a dor latejar em sua mão ferida, como se o fogo queimasse sua carne.
Lyra, assustada, apertou mais forte a mão dela e, com a voz baixa e hesitante, disse:
— Flor, me desculpe. Eu nunca deveria ter te forçado a ir àquele encontro. Se eu não tivesse insistido, nada disso teria acontecido.
Florence, apesar da dor, conseguiu esboçar um sorriso fraco e reconfortante. Ela deu um tapinha na mão da mãe.
— Mãe, confie em mim.
Lyra podia ser uma mulher frágil e medrosa, mas seu amor por Florence era genuíno. Até mesmo quando a pressionou para se casar, foi por medo de que a família Avery usasse o escândalo envolvendo Lucian contra ela.
Respirando fundo, Lyra continuou:
Lyra hesitou, mas por fim assentiu e saiu, com um último olhar preocupado para a filha.
Lucian entrou na sala. A luz fraca da lâmpada desenhava sua silhueta rígida e imponente. Caminhou lentamente até a cadeira à sua frente, e a frieza de seu olhar parecia congelar o ar ao redor. Antes mesmo de se sentar, o peso de sua presença já se fazia sentir.
Com um meio sorriso, ele disse, com a voz carregada de desprezo:
— Você não deveria ter tocado nela.
Florence sentiu um aperto no coração ao ouvir aquelas palavras. Eram tão familiares. Na vida passada, toda vez que algo acontecia com Daphne ou com o filho deles, Lucian dizia exatamente a mesma coisa. Não importava o quanto ela tentasse se explicar, o desfecho era sempre cruel. Ele a observava cair, passo a passo, sem nunca estender a mão para ajudá-la.
Dessa vez, ela nem sequer tentou justificar nada. Não valia a pena.
— E então? O que você quer agora, tio? Veio bancar o mediador? Quer que eu faça as pazes com a Daphne, assim como fiz com o Gabriel?
Lucian pareceu surpreso com a pergunta. Ficou em silêncio por alguns segundos antes de responder. Quando falou, sua voz era baixa e cortante como uma lâmina:
— Florence, a Daphne não é como o Gabriel. É por isso que você precisa ser punida.
As palavras não a surpreenderam. Ela já esperava por isso. Mas isso não tornava a dor menor. Seu peito apertou, e ela cerrou os punhos, tentando controlar a raiva que fervia dentro dela.

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