Florence havia imaginado dezenas de possibilidades para o que Daphne poderia fazer. Ela até considerou a hipótese de Daphne tentar usar suas mãos para provocar um aborto, transformando-a na culpada perfeita.
Mas nunca, nem em seus piores cenários, Florence imaginou que Daphne a empurraria para dentro do lago artificial de Águas Serenas, em pleno final de outono.
A profundidade do lago e a água gelada fizeram com que Florence fosse imediatamente engolida pelo frio cortante. O choque tomou conta de seu corpo, e ela começou a lutar para voltar à superfície.
— Socorro... — Tentou gritar, mas, assim que abriu a boca, a água invadiu sua garganta, cortando qualquer tentativa de pedir ajuda.
Florence pensou que aquele seria o fim. O peso do casaco encharcado tornava impossível continuar lutando, e seu corpo começou a afundar.
De repente, ela ouviu os gritos de Daphne:
— Socorro! A Flor caiu no lago!
Os gritos de Daphne atraíram rapidamente outras pessoas, mas Florence já não tinha forças. Seu corpo cedeu, e ela começou a afundar lentamente.
Foi então que uma sombra mergulhou na água. Antes que ela perdesse completamente os sentidos, sentiu alguém segurá-la com firmeza e puxá-la para a superfície.
Quando Florence foi colocada na margem do lago, ela tossiu violentamente, expelindo a água que havia engolido. Sua visão estava turva, mas, ao abrir os olhos, viu o rosto do homem que a segurava nos braços.
Lucian estava ajoelhado ao lado dela, com os cabelos molhados pingando e os olhos fixos nela. Seu olhar parecia misturar desespero e raiva, e seus lábios murmuravam seu nome:
— Flor... Flor.
Ele nunca a chamava daquele jeito.
— Está doendo. — Murmurou Florence, pressionando as mãos contra o abdômen. Quando olhou para baixo, viu uma mancha de sangue na malha bege de seu vestido.
Ela ficou pálida. “Droga, minha menstruação chegou!” pensou, irritada com a péssima hora. Florence, que raramente sentia cólicas, foi dominada por uma dor intensa que a fez perder os sentidos.
…
Quando Florence abriu os olhos novamente, a dor em seu abdômen havia diminuído. Mas, ao se virar, viu Lucian sentado ao lado da cama, o que a assustou.
O rosto dele estava sério, quase sem expressão, e sua voz soou fria:
— Você não está grávida.
Florence assentiu, mantendo a calma:
— Eu já tinha dito que não seria possível eu ter um filho seu.


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