Quando Valentina acompanhava a mãe no hospital, estava um pouco inquieta.
Na vida passada, Henrique achou que ela tinha machucado Letícia. Apertou o pescoço dela, e havia fúria nos olhos dele. Ela se lembrava daquela sensação de asfixia até hoje.
Dessa vez, se ele achasse que ela jogou vinho em Letícia de propósito, ele com certeza não a deixaria em paz...
Disseram que Henrique viajou a negócios, e se a memória não falhasse, dessa vez ele foi para o Oriente Médio, ficar preso em meio à guerra por lá era bem perigoso.
Seria melhor que ele não voltasse nunca mais!
Quando esse pensamento lhe ocorreu, Valentina fez um barulho: — Hss... — A faca de descascar maçãs cortou-a.
Valentina correu para colocar o dedo na boca.
Helena olhou na direção dela: — Por que você está inquieta? Deixe a mãe olhar a sua mão.
Valentina deu um sorriso sem jeito: — Já passou, nem cortou de verdade.
Ela entregou a maçã para Helena: — Mãe, coma a maçã. Eu vou dar uma saída e volto já.
— Espere. — Helena segurou a mão dela e olhou para a filha, que estava sempre trabalhando e ficava sozinha, muito preocupada. — Seu pai partiu de repente, seu irmão já casou, agora só falta você. Quero que case logo também. Se você tiver alguém para cuidar de você, ficarei tranquila...
Valentina não esperava que a mãe ainda estivesse pensando no casamento dela.
Por que a mãe achava que tudo ficaria perfeito só por casar?
— Eu ficar com você para sempre não é bom?
— Bom é, mas... — Helena ainda estava pálida, e puxou a mão da filha com um suspiro.
— Mãe, Dante acabou de começar o mestrado, nosso futuro ainda é longo...
Helena deu um sorriso forçado, ela nunca quis dizer Dante. Será que ela não conhecia a própria filha? Ela só via Dante como um irmãozinho.
— Tá, tudo bem.
Nesse momento, Marta trouxe uma bacia de água para Helena lavar as mãos e comer a fruta.
— Mãe, eu já volto.
Valentina pegou a bolsa e saiu depressa do quarto.



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