O olhar de Henrique estava sombrio:
— Venha comigo, este não é um lugar para conversar.
Valentina olhou ao redor. O coração dela também ficou um pouco inquieto, com medo de que aquelas pessoas voltassem. O fato de que ela, estando em um lugar seguro, ainda se sentia aterrorizada só provava que a situação do policial agora já era perigosa, num estado de crise.
Ela não conseguia parar de se preocupar.
Com o pulso firmemente agarrado, ela não pôde fazer nada além de acompanhá-lo de má vontade.
Ao entrar no carro, Valentina encostou a testa no vidro gelado da janela. Henrique ficou em silêncio durante todo o caminho.
O carro entrou na Mansão Nanquim e Henrique a levou para o quarto, entregando-lhe uma muda de roupa.
— Você não vai voltar para casa hoje.
— Por quê?
O ar ao redor de Henrique ficou mais pesado:
— Você chorou.
— Sempre que você chora e a gente não dorme na mesma cama, eu tenho pesadelos.
Valentina ficou surpresa. Era a primeira vez que ela o escutava falar aquilo.
— Vá se lavar e dormir. — Assim que Henrique disse isso, ele fechou a porta e foi para o escritório.
Valentina colocou o próprio casaco longo e branco no cesto de roupa suja. Por baixo usava um vestido de tricô bege.
Uma das empregadas trouxe um copo d'água, e Valentina deu alguns goles. Sentiu um leve calafrio no peito de repente, levantou-se e correu para o escritório.
A iluminação dentro do escritório era fria. O homem estava sentado de frente ao computador, e os dedos batiam no teclado com rapidez. Num instante, a tela mudou, entrando de imediato na interface dos monitores de rua do Departamento de Trânsito.
— O que você está fazendo? — Valentina abriu a porta e avançou até ele.
Quando ela o viu, ele estava procurando no sistema uma série de câmeras das ruas. Valentina entendeu logo o que ele queria.

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