As pessoas lá dentro continuavam: — Se quer saber, o Alberto não devia ter desistido do noivado com os Bittencourt. Dizem que foi a Srta. Cavalcanti que quis desistir, o Alberto mimava demais a filha. Agora que o Alberto morreu, nem se sabe se o Leo vai conseguir sustentar o Grupo Cavalcanti...
— Você tem razão. Agora o Henrique está apoiando a família Mendes, os futuros sogros dele.
Valentina ouviu até aí e afastou-se em silêncio. Ao cancelar o noivado, ela realmente não havia pensado tanto nisso.
Mas, chegando a esse ponto, ela nunca pensou em voltar atrás.
Ela já esperava essa frieza das relações humanas e a inconstância do mundo.
Com a morte do pai, o Grupo Cavalcanti estava apenas temporariamente em paz. As finanças do grupo eram impressionantes, com fluxo de caixa abundante e ativos massivos; para os de fora, era uma gigante.
Mas Valentina, que havia reencarnado, também sabia que eles estavam certos. Tinha uma montanha de ouro nas mãos, mas nenhum amparo que a protegesse da morte. A empresa não tinha conexões políticas; mesmo com patentes na mão, ainda era perigoso.
Valentina passou pela multidão barulhenta, pegou casualmente uma taça de vinho de um garçom, deu um gole, ergueu os olhos e olhou para o grupo de pessoas conversando e rindo, e não pôde deixar de pensar que, nos momentos cruciais, a família Cavalcanti não tinha sequer um velho amigo de família sincero.
Nesse momento, um homem de meia-idade parou na frente de Valentina: — Srta. Cavalcanti...
Valentina sorriu friamente em seu íntimo; era o presidente do maior banco estatal de Nova Alvorada.
Sem dúvida, o banco tinha metas de empréstimos. Ele entregou seu cartão com as duas mãos e disse gentilmente: — Se o Grupo Cavalcanti precisar de empréstimos, pode me procurar.
Mas Valentina sabia que o homem à sua frente também era alguém que mudava de lado muito rápido, os bancos eram mais pragmáticos.
Entregavam guarda-chuvas no sol e recolhiam na chuva. Quando o Grupo Cavalcanti estava bem, davam crédito desesperadamente; quando passava por dificuldades, não emprestavam um centavo.
Na vida passada, era difícil para Leo conseguir vê-lo, o presidente do banco... era apenas alguém que ia conforme o vento.
Valentina assentiu: — Se necessário, vamos incomodar o senhor.
— Certo, certo, claro. Então não vou incomodar mais a Srta. Cavalcanti.
Os dois trocaram cartões de visita.
Depois que ele saiu, Valentina jogou o cartão no lixo.



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