Valentina ergueu os olhos suavemente: — A culpa não foi sua.
— Eu fui ao hospital com ele depois e não vi nada fora do normal.
Na verdade, a tragédia de perder o pai foi causada pela sua própria negligência. Ela andava sempre ocupada e deveria ter ficado alerta quando Tiago faliu, exatamente como na vida passada. No entanto, por mais que houvesse percebido algo de estranho, acabou ignorando subconscientemente...
Talvez a natureza humana prefira acreditar que as coisas seguirão um rumo positivo.
Lembrar de Tiago fez Valentina recordar-se de que havia sido ele quem a levou ao hospital no dia do incidente do seu pai: — Não chore, vou fazer uma ligação...
Ao ver a ligação atendida, Valentina disse: — Lembrei, foi você.
— No dia do acidente do meu pai... você me levou ao hospital. E eu não agradeci...
A pessoa do outro lado ficou em silêncio por um momento e, antes que Tiago pudesse falar, ouviu-se no telefone um barulho alto de objetos sendo quebrados — vidros se quebrando, cadeiras caindo e xingamentos se misturaram, formando uma bagunça completa.
O coração de Valentina afundou.
Ela percebeu imediatamente que aquele era o barulho da fábrica de Tiago. — O que houve? O que está acontecendo?
— Ricardo tem vindo arranjar confusão aqui de vez em quando ultimamente.
Sem dizer mais nada, Valentina levantou-se, pegou a chave do carro e saiu.
Ao chegar à fábrica de Tiago, deparou-se com uma cena de destruição, onde homens fortes quebravam tudo com barras de ferro. Valentina avançou: — Parem! O que estão fazendo?
Os homens pausaram o que faziam e olharam para ela.
Ela não prestou atenção neles, ligou direto para Ricardo e, no instante em que ele atendeu, o tom de voz dela soou forte: — Já cansou de mandar essas pessoas aqui?
A risada grave de Ricardo soou antes,
— Confusão? Estou só ajudando a limpar o lixo ao seu redor que não devia estar aí.
Valentina apertou o telefone com força.

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