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Renascida em Chamas: O Adeus de Serena Alves romance Capítulo 439

— Eu odeio meu pai. Odeio-o por ter arruinado a vida da minha mãe, e odeio-o por me trazer a este mundo apenas para me dar uma infância tão sombria.

— Quando ele morreu, não derramei uma única lágrima. Na verdade, senti-me eufórico. Senti que era o que ele merecia, que era a dívida que ele tinha conosco, finalmente quitada.

Murilo Vieira segurou a mão de Serena Alves com força.

— Serena Alves, o que você sente por João Alves nunca foi culpa sua.

— Foi ele quem não cumpriu seu dever de pai. Foi ele quem te machucou e te usou repetidamente, afastando você cada vez mais. Foi ele quem cortou o laço entre vocês.

— Você não precisa se forçar a amá-lo ou a ficar triste só porque ele era seu pai. Laços de família nunca são uma obrigação unilateral.

— Aos meus olhos, essa sua versão real, sem falsidade, sem artificialidade, é a mais preciosa de todas.

Serena Alves olhou para o carinho e o amor inegáveis nos olhos de Murilo Vieira.

A confusão e a dúvida em seu coração se dissiparam, dando lugar a uma emoção indescritível.

Então, ele sempre a entendeu. Entendeu que por trás de sua frieza havia dor, e por trás de sua força, havia fragilidade.

Ela não conseguiu mais se conter. Estendeu os braços e o abraçou pela cintura, enterrando o rosto em seu peito, como se tivesse encontrado um porto seguro.

Ela podia sentir claramente os batimentos fortes de seu coração, transmitidos através do tecido fino da roupa, firmes e rítmicos, trazendo-lhe uma imensa sensação de segurança.

— Murilo, nós não escolhemos de onde viemos.

Ela inalou o cheiro suave de sabão em sua roupa, e toda a sua inquietação e cansaço se dissiparam naquele momento.

O coração de Murilo Vieira se aqueceu. Ele a abraçou de volta com força, o gesto suave como se acalmasse um gatinho assustado, enquanto acariciava suas costas e sussurrava em seu ouvido.

— Sim, eu sei.

— Ainda bem que o destino teve pena de mim e me fez encontrar você.

Ele inclinou a cabeça e depositou um beijo suave em sua testa, um gesto cheio de carinho e devoção, como se estivesse tratando uma joia rara.

— Eu sempre vou te amar, não importa o que aconteça.

Os olhos de Serena Alves se encheram de lágrimas. Uma onda de emoções a invadiu.

Por tantos anos, ela enfrentou todas as tempestades sozinha, acostumada a ser forte e a usar uma máscara. Mas, diante da ternura e da aceitação de Murilo Vieira, ela baixou todas as suas defesas.

Ela ergueu a cabeça, olhou para aqueles olhos gentis de Murilo Vieira, ficou na ponta dos pés e o beijou.

O beijo foi leve, suave, mas carregado de um profundo afeto e do poder de consolo mútuo.

O barulho ao redor pareceu desaparecer. Os passos no corredor, as vozes, o bipe dos equipamentos, tudo se tornou distante.

Restava apenas o calor de seus corpos e os batimentos claros de seus corações.

Depois de um longo momento, eles se separaram lentamente. Murilo Vieira encostou a testa na dela, suas respirações se misturando, os olhos cheios de uma ternura infinita.

— Sente-se melhor?

Murilo Vieira perguntou em voz baixa, com um toque de nervosismo quase imperceptível.

Serena Alves assentiu, as orelhas um pouco quentes, mas a sombra em seus olhos havia desaparecido.

— Sim, muito melhor.

Parecia ser algum parente distante de Sandro Souza, que era presidente de uma das empresas de Marcos Pacheco.

— Sim.

Um brilho frio passou por seus olhos.

— Há vinte anos, foi exatamente quando João Alves e Marcos Pacheco começaram o tráfico ilegal de órgãos. A data do aluguel do armazém coincide perfeitamente.

— Meus homens também descobriram que o aluguel sempre foi pago através de contas anônimas, sem interrupção por todos esses anos.

— E a segurança do armazém é extremamente rígida. Além de várias câmeras escondidas, há patrulhas regulares.

— Recentemente, meus homens tentaram se aproximar para investigar e foram expulsos à força por pessoas não identificadas. É óbvio que alguém tem cuidado do lugar secretamente, protegendo o que está lá dentro.

— Parece que esse armazém é muito importante para Marcos Pacheco. Deve haver algo muito comprometedor escondido lá.

Um lampejo de esperança surgiu no rosto de Serena Alves. Se conseguissem aquelas coisas, somadas às provas que já tinham, será que o caso do tráfico de órgãos de Marcos Pacheco e João Alves de vinte anos atrás finalmente seria resolvido?

Murilo Vieira, antecipando seus pensamentos, afagou sua cabeça, pegou o celular e ligou para Filipe Dourado, chefe do esquadrão de operações especiais.

— Capitão Dourado, aqui é Murilo Vieira.

Murilo Vieira foi direto ao ponto.

— Meus homens descobriram um armazém no cais número três da zona oeste da Cidade R, alugado há vinte anos por Carlos Santos, um dos homens de Marcos Pacheco.

— Suspeito que haja algo muito importante para Marcos Pacheco lá dentro.

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