João Alves contratou tutores particulares para ela e, ao descobrir seu talento na área, a enviou para estudar no exterior.
Ele nunca a deixou faltar nada materialmente. O que Henrique Serena tinha, ela também tinha; e o que Henrique Serena não tinha, ela tinha.
Exceto pelas ações do Grupo Alves, João Alves deu a ela tudo o que podia.
Mas agora, o homem que sempre a protegeu, que sempre a mimou, havia partido.
Talita Alves agachou-se no chão, os ombros tremendo violentamente. As lágrimas caíam como uma chuva torrencial, manchando o piso.
Márcia Nunes estava detida, aguardando julgamento. João Alves estava morto. Henrique Serena, por causa do que Márcia Nunes fez a Maia Domingos, guardava rancor dela e não falava com ela há muito tempo.
De repente, ela estava sozinha no mundo, sem ninguém em quem se apoiar.
Os ombros de Talita Alves tremiam violentamente, e seus soluços reprimidos soavam como vidro quebrado, cortando o ar.
Somente quando o choro diminuiu, restando apenas soluços intermitentes, Marcos Pacheco falou, a voz sem emoção.
— Já chorou o suficiente?
— Os mortos não podem voltar. Agora não é hora de tristeza. Você precisa pensar no seu futuro.
Talita Alves fungou, enxugando as lágrimas com as costas da mão. Sua voz estava anasalada e carregada de desespero.
— Futuro? Que futuro?
Embora não soubesse por que João Alves havia sido preso, para que a polícia se mobilizasse daquela forma, a ponto de causar uma morte, o assunto devia ser sério.
Uma vez que tudo viesse à tona, o Grupo Alves certamente entraria em colapso, talvez até enfrentando a falência.
Marcos Pacheco já havia chegado à saída do térreo da escada de incêndio. Ele ouviu atentamente os sons do lado de fora e, confirmando que não havia nada de anormal, abriu uma fresta da porta.
Ele avistou um antigo prédio residencial não muito longe, caminhou rapidamente até lá e pegou uma jaqueta preta, de tamanho semelhante ao seu, do varal no primeiro andar.
— João Alves está morto. Henrique Serena não consegue segurar o Grupo Alves sozinho.
— Eu verifiquei. O foco de desenvolvimento do Grupo Alves agora é a inteligência artificial. Você estudou no exterior por tantos anos. Se você voltar agora para ajudar Henrique Serena a estabilizar a situação, ele certamente te ouvirá e será grato. O Grupo Alves será seu, mais cedo ou mais tarde.
Talita Alves riu com desdém.
— Henrique Serena não vai confiar em mim.
Desde que Henrique Serena soube que Márcia Nunes havia matado Maia Domingos, ele não lhe deu um único telefonema.
Foi assim quando Márcia Nunes foi presa, e foi assim agora, com a morte de João Alves.
Ele provavelmente já se esqueceu que tem uma irmã.
— Em vez de me meter nessa confusão, é melhor eu arrumar minhas coisas e sair do país. Pelo menos garanto o resto da minha vida.
Talita Alves calculou mentalmente.
Ao longo dos anos, João Alves lhe comprou muitas coisas, deixou um fundo fiduciário e até uma propriedade no exterior.
Embora não se comparasse à vida de luxo na família Alves, era melhor do que esperar a falência do Grupo Alves com Henrique Serena e perder os poucos bens que lhe restavam.
— Tola!
Ao ouvir as palavras de Talita Alves, Marcos Pacheco parou de vestir a jaqueta, irritado.
Marcos Pacheco ajeitou a jaqueta, que não lhe servia perfeitamente, colocou uma máscara e saiu do prédio antigo.
— Apenas me arranje um carro. Leve-me para a Cidade R.
O armazém no cais número três da Cidade R, ele o alugou há vinte anos, usando o nome de Carlos Santos.
Lá estavam escondidas barras de ouro que ele trocou secretamente ao longo dos anos, bem como os segredos que ele coletou sobre os ricos e as famílias poderosas que participaram da primeira leva de transplantes de órgãos.
Com essas coisas em mãos, ele poderia se reerguer.
— Talita Alves, acredite em mim. Eu não vou deixar o Grupo Alves ir à falência. Pelo contrário, posso até levá-lo a um novo patamar.
Talita Alves hesitou. Ela não sabia se o que Marcos Pacheco dizia era verdade, mas alguém como ele certamente teria um plano B.
Confiar em Marcos Pacheco, arriscar e continuar desfrutando de sua vida confortável?
Ou esperar a falência do Grupo Alves e ver seus bens serem confiscados pelo tribunal?
— Certo, eu te ajudo.
Após uma longa hesitação, Talita Alves finalmente se decidiu.
— Mas se você ousar me enganar, mesmo que eu morra, não vou deixar você em paz.
— Fique tranquila. Estamos no mesmo barco. Eu não vou te enganar.
Um sorriso se formou nos lábios de Marcos Pacheco.
— Quando conseguir o carro, me envie a placa. Estarei esperando por você no beco atrás do hospital.

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