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Renascida em Chamas: O Adeus de Serena Alves romance Capítulo 432

Na sala de interrogatório da delegacia.

João Alves estava caído no chão. Os socorristas que chegaram afrouxaram seu colarinho e gravata, viraram sua cabeça de lado e colocaram uma máscara de oxigênio em seu rosto.

O advogado observava, impotente, o suor frio escorrendo por seu rosto.

— Diretor Alves...

Endrick Castro olhou para o peito de João Alves, que subia e descia violentamente, e sentiu que algo estava muito errado.

— Frequência cardíaca caindo! Preparem o desfibrilador!

O líder da equipe de emergência aplicou rapidamente os eletrodos, os olhos fixos no monitor.

— Carregando! 360 joules! Afastem-se!

Com um baque surdo, o corpo de João Alves arqueou violentamente no momento em que a corrente elétrica o atravessou, como se uma mão invisível o apertasse, antes de cair de volta no chão.

Mas a linha verde no monitor continuava fraca, quase reta. Cada pulso era fino como um fio de cabelo, sinalizando que a vida se esvaía rapidamente.

— De novo!

O líder não hesitou e pressionou o botão novamente.

O segundo choque fez os membros de João Alves convulsionarem. Seus olhos turvos reviraram, e a consciência começou a se dissipar.

— Droga!

Um policial não ousou demorar e pegou o telefone da mesa.

— Alô! Central de comando! Temos um suspeito com ataque cardíaco na sala de interrogatório, a situação é crítica! Enviem uma equipe de emergência imediatamente!

— O endereço é Delegacia da Zona Oeste, prédio de interrogatórios, terceiro andar, sala 302!

-

Serena Alves saiu pela porta da delegacia. O vento frio do final do outono a atingiu no rosto, cortante.

Ela ajeitou o colarinho do casaco. Uma ambulância passou zunindo por ela, as luzes vermelhas e azuis piscando, ofuscando seus olhos.

O som estridente da sirene pareceu perfurar seu coração. Os batimentos de Serena Alves aceleraram, e uma inquietação inexplicável subiu por sua espinha.

Ela se virou instintivamente e olhou para o prédio da delegacia, vendo a ambulância parar em frente à entrada.

Vários paramédicos desceram com uma maca e kits de primeiros socorros, correndo para dentro.

Vendo-a parada na porta, sem se mover, Murilo Vieira desceu do carro estacionado em frente à delegacia, aproximou-se e colocou um xale sobre seus ombros.

Endrick Castro não insistiu.

Murilo Vieira, vendo a expressão sombria dela, perguntou preocupado:

— O que aconteceu?

Serena Alves respirou fundo, suprimindo a emoção em seus olhos.

— João Alves teve um ataque cardíaco. Estão tentando reanimá-lo.

— Você pode avisar o Henrique Serena para mim? Diga para ele vir.

Murilo Vieira hesitou por um instante, mas não a aconselhou a voltar. Ele assentiu e pegou o celular.

Serena Alves ficou parada em frente à delegacia, contando os andares do prédio, tentando adivinhar qual daquelas janelas era a da sala de interrogatório.

No momento em que entregou a Endrick Castro os documentos escaneados da caixa de ferro, ela soube que era o fim para João Alves.

Hoje, quando recebeu a ligação de Endrick Castro dizendo que João Alves queria vê-la antes de confessar, sentiu até uma ponta de impaciência.

Ela só foi ver João Alves para que ele dissesse a verdade e o caso fosse esclarecido, para que a alma de sua mãe pudesse descansar em paz.

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