— O caso de sua mãe logo será esclarecido — continuou ele, com um tom de certeza. — Aqueles que fizeram mal a vocês duas receberão a punição que merecem.
— Tudo está resolvido. Não haverá mais problemas como esses.
Ele apertou o abraço, segurando-a com mais força.
Serena Alves sabia muito bem que ele havia feito tudo aquilo por ela, e que escondeu a verdade para não a preocupar.
Mas o que mais a preocupava era a possibilidade de ele enfrentar perigos em lugares onde ela não pudesse vê-lo.
Aninhada em seus braços, ela lhe deu um leve soco no peito.
Era um gesto mais de manha do que de força.
— Se você esconder algo de mim de novo, eu nunca mais falo com você. Nunca mais, de verdade.
— Não ousarei, nunca mais.
Murilo Vieira prometeu apressadamente, sua voz tingida com um sorriso carinhoso.
— De agora em diante, contarei tudo a você primeiro. Vou te ouvir em tudo, nunca mais agirei por conta própria e jamais me colocarei em perigo.
Após dizer isso, algo pareceu passar por sua mente, e seu olhar vacilou por um instante.
O assunto de sua mãe, e o fato de ter pedido a Sebastião Rocha para ajudar Serena Alves... isso não contava, certo?
— O que foi?
Percebendo sua estranheza, Serena Alves ergueu a cabeça e arqueou uma sobrancelha.
— Você está escondendo mais alguma coisa de mim?
— Não, nada.
A garganta de Murilo Vieira se moveu, e ele desviou o olhar.
— Tem certeza?
Serena Alves estreitou os olhos.
A operação policial em larga escala na Cidade S naquela noite fora barulhenta demais, com sirenes ecoando por quase metade da cidade. Era impossível esconder.
Inquieto, ele fez várias perguntas e finalmente confirmou que a polícia estava se mobilizando para prender Marcos Pacheco.
Ele não imaginava que Marcos Pacheco tivesse chegado à Cidade S e entrado em um tiroteio com a polícia em uma fábrica abandonada na zona oeste.
Agora, ele era um foragido, caçado por todas as forças policiais.
No instante em que soube da notícia, João Alves ficou, a princípio, chocado.
Ele não esperava que Marcos Pacheco fosse tão audacioso a ponto de enfrentar a polícia abertamente. Era um suicídio!
Mas, passado o choque, uma onda de euforia indescritível o invadiu, quase o afogando.
Marcos Pacheco, aquela ameaça constante, aquele pesadelo que o assombrava por vinte anos, finalmente se tornara um rato encurralado, incapaz de se salvar.
Durante duas décadas, as coisas que ele e Marcos Pacheco fizeram juntos foram como uma lâmina suspensa sobre sua cabeça.
Mesmo depois que Marcos Pacheco foi forçado a fugir para o exterior por outros motivos, enquanto ele estivesse vivo, João Alves não conseguia ter paz.

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