O vento no terraço era forte.
Ele soprava com força, despenteando seu cabelo e agitando a barra de suas roupas.
A brisa noturna trazia um frescor que ajudou a clarear sua mente confusa.
Ele se aproximou da beirada do terraço e, apoiando-se no parapeito, olhou para baixo.
O prédio estava completamente cercado pela polícia.
Várias viaturas estavam estacionadas em cantos discretos, com os faróis apagados.
Havia policiais de guarda na entrada do prédio e nas esquinas, formando uma rede impenetrável.
Escapar dali parecia quase impossível.
Marcos Pacheco tirou um cigarro do bolso, acendeu-o e deu uma tragada profunda.
A fumaça acre o fez tossir, mas também o deixou mais calmo.
Ele se encostou no parapeito.
Seu olhar era sombrio e assustador, e um sorriso de autodepreciação surgiu em seus lábios.
Ele nunca imaginou que, por causa de uma simples Serena Alves e de um plano mal calculado, se tornaria um fugitivo procurado, forçado a se esconder em um terraço como um cão sarnento.
Aquele inútil do João Alves... se ele valorizava tanto aqueles documentos, como pôde deixar seu próprio filho descobri-los?
E Talita Alves... a inteligência daquela garota não chegava nem perto da de Márcia Nunes em seus tempos.
Marcos Pacheco deu outra tragada forte no cigarro.
Em meio à fumaça, seu olhar se tornou ainda mais feroz.
Não, ele não podia simplesmente aceitar a derrota.
Os documentos na caixa de metal eram uma questão de vida ou morte, e estavam ligados a seus planos de anos.
Ele precisava pegá-los.
E quanto a Murilo Vieira e Serena Alves, ele acertaria as contas com eles mais cedo ou mais tarde.
Marcos Pacheco apagou o cigarro e começou a observar o ambiente do terraço com atenção, tentando encontrar uma rota de fuga viável.
Um dos lados do terraço ficava próximo a outro prédio residencial.
O líder era o mesmo policial de expressão séria de antes.
Os outros quatro usavam uniformes, com armas na cintura, e pareciam alertas.
As mãos de Talita Alves começaram a suar frio.
Ela respirou fundo, esforçando-se para que sua voz soasse calma.
Com uma calma forçada, ela abriu a porta, exibindo um sorriso tenso.
— Senhores policiais, por que voltaram? Já não me interrogaram antes?
— Obtivemos um mandado de busca. Por favor, saia da frente.
O tom de Filipe Dourado era sério, e seu olhar afiado varreu o interior do apartamento.
Talita Alves não ousou impedi-los e se afastou.
Os policiais entraram imediatamente e começaram a busca de forma metódica.
Eles inspecionaram cada cômodo cuidadosamente: o quarto, a sala, a cozinha, o banheiro, e não deixaram de fora nem os armários e o espaço debaixo da cama.

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