Ele encarou Serena Alves fixamente, seus olhos agitando-se com uma mistura complexa de emoções.
Havia raiva, ressentimento, pânico e um toque sutil de receio.
O projeto SelvaTech era sua última esperança, sua moeda de troca para retomar o controle do Grupo Serra.
Ele não podia perdê-lo.
A parceria com o governo era ainda mais crucial.
Se fosse rescindida, não apenas o Grupo Serra sofreria um golpe devastador, mas seu próprio futuro estaria completamente arruinado.
Ele ficou em silêncio por um longo tempo, até que a fúria em seu coração gradualmente se dissipou e a razão retornou.
— Então, você está me ameaçando agora?
— Sim.
Serena Alves assentiu, o olhar firme, sem qualquer intenção de ceder.
Finalmente, Gabriel Serra lentamente relaxou os punhos cerrados.
Seu rosto estava tão sombrio que parecia que ia chover.
Ele disse, rangendo os dentes:
— Tudo bem, eu concordo com o divórcio.
O coração de Serena Alves relaxou um pouco, a tensão finalmente se dissipando, mas não havia alegria, apenas o cansaço de quem passou por uma longa provação.
— Quando vamos ao cartório?
A voz de Gabriel Serra era gélida.
— Que cartório?
Serena Alves riu friamente.
— Gabriel Serra, nem pense em ganhar tempo.
Ela fez uma pausa, olhando para seu rosto sombrio, e continuou:
— Se formos ao cartório agora, teremos que esperar um mês pelo período de reflexão.
— Nosso caso de divórcio está atualmente suspenso no tribunal.
— É melhor solicitar diretamente uma mediação judicial.
— É mais rápido.
O olhar de Gabriel Serra se aprofundou.
Ela se encostou na parede fria, fechou os olhos, o coração um turbilhão de emoções.
A ideia de fazer fertilização in vitro com Murilo Vieira, de ter um filho para salvá-lo, uma vez que surgiu, fincou raízes em seu coração.
Essa parecia ser, de fato, a única maneira de salvá-lo.
Ela não ignorava os danos que a fertilização in vitro poderia causar ao seu corpo, nem o quão impulsiva estava sendo.
Mas, nesse tempo, Murilo Vieira a salvara tantas vezes, e sua crise foi desencadeada ao salvá-la.
Ela não podia simplesmente assistir à sua morte.
Depois de um bom tempo, Serena Alves abriu lentamente os olhos, o olhar novamente firme, e caminhou em direção ao consultório médico.
Agora, ela precisava confirmar por quanto tempo o corpo de Murilo Vieira ainda poderia aguentar.
Dentro do quarto, Murilo Vieira estava encostado no batente da porta, o rosto pálido, o olhar complexo fixo na direção do corredor.
Preocupado com Serena Alves, ele havia se forçado a sair da cama para ver o que estava acontecendo.
Mas, ao chegar à porta, ouviu a conversa entre Serena Alves e Gabriel Serra.
Cada palavra foi como um martelo, batendo forte em seu coração.
Ele sabia que sua condição era grave, que precisava de um transplante de células-tronco de um parente de sangue para se curar, mas nunca imaginou que Serena Alves consideraria ter outro filho com ele para salvá-lo.

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