“Paloma, me ajude...”
Huberto recostou-se no sofá, sentindo o corpo todo febril, com inúmeras erupções vermelhas espalhadas pela pele.
Seus olhos estavam úmidos, o olhar ardente; a gravata já tinha sido arrancada, vários botões da camisa estavam abertos, deixando-o ao mesmo tempo desejoso e desajeitado.
“Paloma...”
Paloma afastou a mão de Huberto, recuando alguns passos como se fugisse de uma praga. “Nojento.”
Huberto demonstrou sofrimento no rosto. “Estou me sentindo muito mal, não estou mentindo para você.”
Paloma lançou um olhar de desprezo ao copo d’água pousado ali perto.
“Huberto, eu não imaginei que você, para me possuir, seria capaz de recorrer a artifícios tão baixos. Você é realmente perverso e cruel!”
Paloma falou entre dentes: “Se quiser me dar dinheiro, dê, se não, paciência. Não sou responsável por fazer companhia na cama.”
Ao terminar, ela se preparou para sair.
“Espere.”
Paloma virou-se e viu Huberto segurando um Documento de Ordem de Crédito; seu semblante melhorou um pouco.
Ela se aproximou para pegar o documento, mas Huberto não soltou.
Ele olhou para Paloma com devoção. “Você sabe, eu só amo você.”
Durante nove anos, ele dedicou-se inteiramente a Paloma, amando-a com paixão obsessiva.
“O amor doentio não tem valor.” Paloma puxou o documento. “Salvei sua vida, e você ainda tirou a vida do homem que eu mais amava. Você está apenas pagando o que me deve.”
Ela guardou o documento e saiu sem olhar para trás.
Huberto jogou-se sem forças no sofá, o corpo queimando e desconfortável, como se fosse explodir.
Naquele ano, ele sofreu um acidente de carro enquanto dirigia em alta velocidade; o veículo capotou e ele perdeu os sentidos, sendo Paloma quem o tirou do carro.
O veículo vazava combustível, incendiou-se e explodiu completamente.
Se não fosse Paloma, ele teria morrido junto com o carro.
Ela era tão bonita, de coração bondoso, fala suave e ótimas notas; sob o peso desse favor de vida, ele se apaixonou por essa jovem radiante.
Mas Paloma não o amava.
Até mesmo quando a família arranjou para ele um casamento de negócios, ele aceitou, encontrou-se com a pretendente e jantou com ela.
A pretendente perguntou: “Sr. Huberto, o senhor tem certeza de que, depois do casamento, não terá mais nenhum laço com a Sra. Toledo?”
O amor de Huberto por Paloma era conhecido por toda a cidade.
Mesmo sendo uma união comercial, o passado não importava, mas depois de casados, não era permitido.
Huberto respondeu sem hesitar: “Naturalmente que não. Também tenho minha dignidade.”
A conversa transcorreu muito bem, e as duas famílias rapidamente acertaram a data do casamento.
No círculo social, todos comentaram que o jovem da família Freitas finalmente tinha superado sua paixão.
Huberto apenas sorriu ao ouvir isso.
Naquela noite, Huberto jantou com a pretendente; o clima era excelente.
De repente, a pretendente levantou-se e foi até ele, segurando seu queixo com o dedo. “Que tal passarmos a noite fora?”
“Não seria muito apropriado.” Huberto recusou instintivamente.

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