Naquela noite, Huberto retirou as alianças de compromisso que havia preparado há tempos e, ao lado do leito, pediu Paloma em casamento.
Ao ver o homem ajoelhado com o anel nas mãos, o rosto de Paloma, pálido como a neve, manteve-se sereno e austero. Ela balançou a cabeça.-
"Não vou me casar com você." A voz de Paloma soou fria, como a geada do inverno, capaz de congelar tudo ao redor.
Huberto ficou atônito por um momento, com a expressão congelada.
Logo, forçou um sorriso e falou com ternura: "Paloma, não fique com esse peso na consciência, eu não vou te rejeitar. Além disso, agora que fui expulso da família Freitas e minha reputação está arruinada no círculo social, ninguém mais vai dizer que não somos compatíveis."
"Você está enganado." Paloma tornou a balançar a cabeça.
Huberto não compreendeu de imediato e ouviu-a continuar: "Mesmo que eu estivesse manchada, jamais ficaria com você."
Naquele instante, Huberto sentiu que sabia o que era um corpo sendo despedaçado, como se todos os ossos tivessem sido arrancados.
Perdeu as forças, a mente ficou vazia, e quase não conseguiu mais segurar o anel em suas mãos.
Nesse momento, o celular de Paloma tocou de repente.
Ela atendeu e, ao olhar para a tela, um sorriso estranho e gélido surgiu em seu rosto pálido.
Mostrou o celular para Huberto: "Huberto, eu quero que você morra."
Na tela, a notícia informava que, na noite anterior, houve uma briga que resultou em cinco pessoas levemente feridas e três gravemente feridas, das quais duas morreram durante o atendimento de emergência. O agressor havia fugido, e a polícia estava empenhada nas investigações para capturá-lo.
O local do incidente era exatamente onde Paloma fora cercada na noite anterior.
Huberto não chegou a ler toda a notícia, pois desviou o olhar para o rosto de Paloma.
Uma ideia aterrorizante começou a crescer em sua mente.
Paloma guardou o celular, curvando os lábios e baixando a voz: "Está surpreso? Foi você quem me inspirou."
Ela deixou claro que se tratava de excesso de legítima defesa.
Chorando, Paloma ainda declarou à polícia que Huberto era um homem perturbado, que sempre tentava possuí-la de todas as formas e chegou ao ponto de drogá-la e ameaçá-la.
Huberto foi levado em silêncio pelos policiais e a família Freitas foi notificada.
Jacinto, acompanhado por um advogado, foi até a delegacia, mas não conseguiu ver Huberto, pois, devido à gravidade do caso, visitas de familiares não foram permitidas.
O advogado informou a Jacinto que Huberto estava muito abatido, não respondia a perguntas e se comportava como um mudo.
Jacinto, com o semblante rígido, saiu da delegacia e foi ao hospital, onde encontrou Paloma.
Diante de Jacinto, Paloma não demonstrou culpa; pelo contrário, falou com firmeza: "O fato é que Huberto matou uma pessoa, o que isso tem a ver comigo?"
Jacinto perguntou: "Se você não tivesse pedido socorro, ele teria ido te salvar e matado alguém?"

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