O rosto de Arthur Ferreira endureceu aos poucos. Ele olhou para Isabela Martins. — Mãe, vou indo.
Em seguida, virou-se e saiu com passos largos.
Mentindo para ele de novo.
Ela não tinha se demitido e iria fugir com David Soares.
Ele pegou o celular e ligou para Matheus, com a voz grave. — Onde está minha esposa?
— A senhora está no Residencial Baía da Lua...
Ele entrou no Rolls-Royce e ordenou ao motorista: — Vá para o Residencial Baía da Lua.
— Sr. Ferreira, a reunião de acionistas vai começar em breve, o assistente Carlos avisou que você deve chegar antes das oito. — O motorista olhou as horas. — Já são sete e meia.
O olhar severo de Arthur caiu sobre o rosto do motorista, assustando-o tanto que não ousou dizer mais nada, dirigindo o carro direto para fora do Residencial Harmonia.
Isabela de repente saiu do devaneio, percebeu que havia algo errado e ligou para Helena.
E ninguém atendeu o telefone.
Apartamento 1202.
— Julia, o voo é às três da tarde, ainda temos algumas horas para nos despedirmos das famílias. — Helena Martins lembrou a Julia assim que entrou em casa.
Ao vê-la voltar, Julia largou a mala, entrou na cozinha e trouxe o café da manhã.
Helena então sentou-se à mesa e começou a comer, estava de fato com fome.
Eram todos os pratos de que ela gostava.
Julia disse enquanto arrumava as coisas: — Já falei com minha família e eles apoiaram a viagem.
— E você, senhorita?
— Ainda vai se despedir de mais alguém?
— Vou ver a Joana mais uma vez, além dela não há mais ninguém — lembrou Helena, que tinha muito poucos amigos.
E ela parecia não precisar de tantos amigos assim.
Os experimentos de pesquisa científica tomavam muito do seu tempo.
No instante seguinte, bateram à porta.
Julia ia abrir, mas Helena a impediu.
Ela soltou a colher do mingau de aveia, levantou-se e abriu a porta, vendo um rosto perfeito e deslumbrante.
Enzo Rossi.
Ele lhe entregou a bolsa de couro sem expressão. — Tem uma ligação.
Helena ficou um pouco surpresa, estendeu a mão para pegar, tirou o celular que tocava, viu que era sua mãe e atendeu imediatamente.
E o homem, nesse instante, virou-se e caminhou em direção ao 1201.
Olhando para as costas retas e severas dele.
Seus olhos arderam um pouco, amar alguém inatingível trazia amargura ao coração. — Mãe?
— Helena, o Arthur não sabia que você iria para o exterior?
— Ele não sabia.
— O que vamos fazer? Eu falei sem querer, e ele está indo te procurar agora. — Isabela parecia um pouco preocupada. — Parece estar meio irritado.
— Não faz mal, mãe. — Helena tranquilizou em voz baixa. — Eu não tenho mais nada com ele, ele não pode fazer nada.
Isabela soltou um longo suspiro. — Queria que vocês terminassem bem e não deixassem as coisas tão tensas, se não podem ser marido e mulher, ainda podem ser amigos, nem que seja só conhecidos.
— Hum, não vamos deixar as coisas tensas.
— Ele me ajudou, te ajudou, eu lembro disso. — Ela disse suavemente, seu coração já não tinha mais nenhuma agitação.
— Que bom então.

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