MARKUS BLACKWOOD
A noite caiu sobre Nova York. Mark já estava dormindo na cama dele. Leah e eu estávamos deitados na nossa cama. Ela estava aninhada no meu peito.
— O Damian me contou uma coisa hoje. — Quebrei o silêncio.
— O quê? — Ela perguntou, sonolenta.
— A Patrícia. A audiência preliminar foi ontem. O juiz negou fiança dessa vez. Ela vai aguardar o julgamento presa. Tentativa de homicídio.
Senti o corpo de Leah relaxar contra o meu.
— Isso é bom. — Ela suspirou.
— Sim. — Beijei o topo da cabeça dela. — Ela não vai sair tão cedo. E os advogados dizem que ela vai pegar uma pena longa, ou ser internada numa instituição psiquiátrica judicial. De qualquer forma, espero nunca mais vê-la em liberdade.
Ficamos em silêncio por um tempo. O som distante das sirenes e do trânsito lá embaixo era reconfortante, de certa forma. Era a nossa realidade.
— Leah? — Chamei.
— Hm?
— O que o Mark disse hoje sobre o irmão. — Senti ela ficar tensa de novo. — Você pensa nisso? Em ter filhos?
Ela se apoiou no cotovelo para me olhar. Seus olhos castanhos estavam sérios, reflexivos.
— Hum... — Ela mordeu o lábio inferior. — Sinceramente, Markus? Gravidez nunca esteve nos meus planos.
— Nunca?
— Não. — Ela balançou a cabeça. — Desde o ensino médio, meu foco sempre foi a medicina. Eu queria ser cirurgiã e salvar vidas. Eu via minhas amigas planejando nomes de bebês e eu planejava especializações em trauma. Não estava no meu "roteiro" ser mãe.
Ela fez uma pausa, procurando as palavras certas.
— E eu não me sinto menos mulher por isso. Eu sei que a sociedade cobra, mas... me sinto completa com meu trabalho. E agora, com você e o Mark. E com a meia dúzia de sobrinhos que a Stella e a Lizzy me deram. — Ela riu fraco. — Eu já troquei fraldas e dei conselhos o suficiente. Me sinto "mãe o bastante". E você? Você quer ter mais filhos?
Sorri, puxando-a de volta para o meu abraço.
— Na verdade... nunca foi meu sonho também. — Confessei. — A Patrícia... bem, você sabe. O Mark não foi planejado. Foi uma armadilha. Mas eu amo o Mark. Muito mesmo. Ele é a melhor coisa que saiu daquela bagunça.
— Ele é incrível. — Leah concordou.
— Mas ter mais um, com mais de 40 anos? Fraldas, noites sem dormir, choros... — Fiz uma careta. — Estou gostando da nossa fase agora. Mark já é independente. Nós temos nossa liberdade.
Olhei nos olhos dela, sério.
— Mas se um dia você mudar de ideia... se você quiser dar um irmão ao Mark, ou se quiser viver a experiência da gravidez... eu estou dentro. Eu não tenho nada contra. Eu te apoiaria em tudo. Mas se você não quiser... eu estou perfeitamente feliz com a nossa família do jeito que ela é. Você, eu e o Mark. É perfeito para mim.
Leah sorriu, um sorriso de alívio genuíno.
— Obrigada por dizer isso. Tira um peso enorme das minhas costas. Eu achei que você talvez quisesse um time de futebol.
— Deus me livre. — Ri.
— Então estamos combinados? — Ela bocejou, acomodando-se no travesseiro. — Sem pressão.
— Sem pressão. — Concordei. — Podemos falar disso depois, se a vontade surgir. Ou nunca.
— Vim dizer adeus.
Ela soltou uma risada seca.
— Adeus? Você nunca vai se livrar de mim, Markus. Eu sou a mãe do seu filho.
— Biologicamente, sim. — Inclinei para frente, apoiando os cotovelos na mesa. — Mas legalmente, emocionalmente e moralmente... você não é nada dele. O juiz já assinou a ordem de restrição permanente. Você perdeu o pátrio poder.
Patrícia trincou os dentes.
— Isso é temporário. Eu vou sair daqui. Meus advogados...
— Seus advogados estão tentando conseguir um acordo para você não pegar vinte anos por tentativa de homicídio. — Cortei. — E a única razão pela qual eles podem conseguir uma pena menor é se alegarem insanidade. O que significa que você vai para um hospital psiquiátrico, Patrícia. De um jeito ou de outro, você vai ficar trancada por muito tempo.
Ela me encarou com ódio.
— Você arruinou minha vida.
— Você arruinou a sua vida. — Corrigi, sem levantar a voz. — Você escolheu apontar uma arma para nós.
— Aquela... médica. — Patrícia cuspiu a palavra.
— O nome dela é Leah.
— Markus, você vai se arrepender. Um dia, Mark vai crescer. Ele vai saber que você prendeu a mãe dele.
— Sim, ele vai crescer e vai entender que eu o protegi de um monstro.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!