MARKUS BLACKWOOD
O som explodiu nos meus ouvidos, seguido imediatamente pelo cheiro de pólvora.
Fechei os olhos por um milésimo de segundo, esperando a dor. Esperando sentir o metal rasgando a minha carne ou, pior, ouvir o grito de dor da mulher atrás de mim. Meu corpo estava tenso, preparado para o impacto final.
Mas a dor não veio.
O que veio foi um grito. Mas não era meu. E não era de Leah.
Era um grito estridente, cheio de surpresa e agonia, vindo da minha frente.
Abri os olhos.
Patrícia não estava mais de pé.
O corpo dela tinha colapsado para a direita, e ela estava no chão, segurando a coxa. O vestido vermelho agora tinha uma mancha mais escura e úmida se espalhando rapidamente pelo tecido caro. A arma prateada tinha voado da mão dela e deslizava pelo chão do terraço, parando inofensivamente perto de um vaso de plantas.
Virei a cabeça rapidamente para a esquerda.
Um dos seguranças que Damian tinha posicionado estrategicamente estava com a arma em punho. Ele não tinha hesitado. No momento em que o dedo de Patrícia tencionou no gatilho, ele disparou.
— Aaaah! — Patrícia gritava, rolando no chão, as mãos cobertas de sangue. — Ele atirou em mim! Vocês são loucos!
Antes que ela pudesse tentar alcançar a arma caída, o segundo segurança já estava em cima dela. Ele chutou a pistola para mais longe e imobilizou Patrícia com o joelho nas costas, prendendo as mãos dela.
— Leah? — Girei o corpo, agarrando os ombros da minha esposa. Meus olhos varreram o corpo dela freneticamente, procurando qualquer sinal de ferimento. — Leah, você está bem? Ela te acertou?
Leah estava pálida, os olhos arregalados e a respiração saindo em arfadas curtas. Ela olhou para o próprio corpo, depois para mim.
— Eu... eu estou bem. — Ela gaguejou, tocando meu peito com as mãos trêmulas. — E você? Markus, você se jogou na frente! Você é idiota?
— Eu sou seu marido. — Respondi, puxando-a para um abraço esmagador, enterrando meu rosto no pescoço dela. — Graças a Deus. Graças a Deus.
Atrás de nós. Damian, assumiu o comando da cena.
Ele caminhou até onde Patrícia estava sendo levantada pelos seguranças. Ela chorava e xingava, uma mistura grotesca de dor e fúria.
— Tirem ela daqui. — Damian ordenou. — Entreguem para a polícia. Chame uma ambulância e certifiquem-se de que a imprensa não veja essa saída.
— Você vai pagar por isso, Markus! — Patrícia gritou enquanto era arrastada, mancando, com a perna sangrando. — Isso é agressão! Eu vou processar todo mundo!
— Você tentou matar o noivo no altar, Patrícia. — Damian respondeu. — A única coisa que você vai processar é a comida da penitenciária dentro do seu estômago.
Quando as portas do elevador de serviço se fecharam, um silêncio atordoado se seguiu sobre o terraço. Os convidados estavam em choque, alguns ainda abaixados atrás das cadeiras.
Me levantei, trazendo Mark comigo no colo. Ele escondeu o rosto na curva do meu pescoço, recusando-se a soltar.
Damian caminhou até o centro do altar, onde o juiz ainda estava parado, pálido, mas segurando o livro de cerimônia como um escudo. Damian pegou o microfone que tinha caído no chão.
— Senhoras e senhores. — A voz de Damian preencheu o espaço, calma e assertiva. Ele sorriu, um sorriso tranquilizador para acalmar todos. — Peço desculpas pelo... entretenimento extra não programado. Parece que tivemos um problema técnico com a lista de convidados, mas a situação foi resolvida permanentemente.
Houve alguns risos nervosos na plateia.
— Ninguém se feriu e o casal está ótimo. — Damian continuou, olhando para nós e piscando. — E como dizemos na família Winter-Hampton: nada estraga uma boa festa. O bar está aberto no andar de baixo, o jantar está servido e a banda está pronta para tocar. Vamos descer e celebrar o amor, porque é isso que viemos fazer, certo?
Aplausos tímidos começaram, e logo se tornaram mais fortes.
Leah segurou minha mão livre. Os dedos dela estavam entrelaçados nos meus com uma força que dizia "eu não vou te soltar".
— Você está bem? — Ela perguntou, olhando nos meus olhos.
— Estou com você e com ele. — Respondi, beijando a testa dela. — Estou perfeito.
— Vamos sair daqui. — Ela pediu, olhando para a mancha de sangue no chão que os funcionários já corriam para limpar.
— Vamos.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!