LEAH HAMPTON
O trânsito de domingo era um teste de paciência para qualquer ser humano, mas hoje parecia pessoal. Buzinas, freadas bruscas, taxistas gritando... isso combinava perfeitamente com o estado da minha mente.
Conectei os fones de ouvido e disquei o número da Stella. Eu precisava desabafar e que alguém me dissesse que eu não estava louca, ou que me desse permissão para cometer um homicídio culposo contra o meu noivo.
— Alô? — A voz de Stella atendeu no terceiro toque.
— Você não vai acreditar no que aconteceu. — Dispensei o "bom dia" e fui direto ao ponto. — O Markus sumiu ontem.
— O quê? Como assim sumiu? — O tom dela mudou instantaneamente. — Sumiu tipo... foi sequestrado? Ainda não apareceu?
— Não, Stella. Ele sumiu por escolha própria. — Apertei o volante, sentindo a raiva voltar. — Ele levou o Mark para a visita com a Patrícia e prometeu que ia esperar no carro. Quatro horas depois, a assistente social me liga dizendo que o Mark estava sozinho na recepção e o Markus tinha desaparecido. Ele não atendia o telefone, nada.
— Meu Deus... e o Mark?
— Ele está bem. Busquei ele e cuidei de tudo.
— E o que o Markus disse? Qual foi a desculpa?
— Ele teve a audácia de me dizer que o carro deu problema num sensor e ele teve que parar numa oficina de emergência. E que, convenientemente, a tal oficina era um bunker onde não pegava sinal de celular. Você acredita nisso? Por que mentir? Por que sumir? A única outra opção é... outra mulher. Mas isso não faz sentido. Ele parece obcecado por mim.
— Ele É obcecado por você, sua boba. — Stella garantiu, com convicção. — Tira essa ideia de traição da cabeça. O Markus olha para você como se você tivesse inventado o oxigênio.
— Então me explica, Stella! Por que ele mentiria na minha cara?
Ouvi Stella suspirar do outro lado da linha. Parecia que ela estava escolhendo as palavras com muito cuidado.
Cheguei ao estacionamento do hospital e desliguei o carro.
— Tenho que desligar.
— Tudo bem, tenho que cuidar da Chloe.
Stella estava estranha. Markus estava estranho. Parecia que todo mundo sabia de algo que eu não sabia.
— Eu odeio não saber das coisas. — Murmurei para mim mesma, tirando os fones.
Peguei minha bolsa e saí do carro.
O hospital era como outro mundo, tem coisas mais importantes nele do que minha vida pessoal, Markus e seus segredos que esperassem.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!