MARKUS BLACKWOOD
Fiquei parado, olhando para as costas da minha noiva enquanto ela subia as escadas pisando duro.
Castigo?
Eu sou um homem e tenho mais de quarenta anos. Eu não fico "de castigo".
— Leah! — Corri atrás dela, subindo os degraus de dois em dois. — O que você quer dizer com isso? Você não pode estar falando sério!
Ela nem olhou para trás. Continuou andando pelo corredor em direção ao nosso quarto, quer dizer, ao quarto que, aparentemente, agora era só dela.
— É bem simples, Markus. — Ela disse, sem parar. — Você dorme no sofá ou no quarto com o Mark. Mas não vai ser comigo. Eu preciso de uma noite longe das suas mentiras esfarrapadas para pensar com clareza.
— Não foi esfarrapada! — Protestei, seguindo-a como uma sombra desesperada. — E o sofá é péssimo! Ele é bonito, mas é duro! Foi feito para visitas ficarem pouco tempo, não para dormir!
Ela entrou no quarto. Tentei entrar junto, mas ela se virou rápido, bloqueando a passagem com o corpo.
— Boa noite, Markus.
— Leah, amor, me escuta... — Coloquei a mão na porta, impedindo que ela fechasse. — Você está sendo irracional. Eu trouxe chocolate e pedi desculpas! Eu sou o amor da sua vida, lembra? A gente vai casar!
Ela estreitou os olhos.
— Você está me chamando de irracional? Eu sou louca agora?
Senti o sangue gelar. Armadilha. Caí em uma armadilha clássica.
— Não! Claro que não! — Corrigi imediatamente, e mudei meu tom para mais suave e sedutor. — Eu nunca te chamaria de louca. Você é a mulher mais sensata, inteligente, equilibrada e linda do mundo. A luz dos meus olhos. A razão do meu viver.
Leah parou. A expressão dela suavizou. Ela soltou a porta e me olhou com uma doçura repentina.
Sorri, aliviado. Consegui. O charme Blackwood nunca falha.
— Eu sabia que você ia entender... — Dei um passo para entrar no quarto, já pensando no conforto do meu colchão king size e em como eu ia compensá-la com uma massagem nos pés.
Mas ela não saiu da frente.
Em vez disso, ela se abaixou, pegou algo que estava em cima da poltrona e enfiou no meu peito.
Olhei para baixo. Era um travesseiro, um cobertor dobrado e um pijama. Ela separou isso com antecedência?
— O quê...?
— Aproveite sua noite longe da mulher mais sensata e linda do mundo. — Ela disse, com um sorriso doce e venenoso. — E tente não babar no sofá de design. Mancha.
— Querida...
A porta bateu na minha cara. Ouvi o clique inconfundível da tranca girando.
— Leah? — Chamei, batendo de leve. — Leah, abre. Está frio aqui fora. Leah?
Silêncio.
— Não dá, pai. — Ele balançou a cabeça. — A Leah disse que você tá de castigo. E se eu deixar você entrar, fico de castigo também. E eu quero brincar com o Lego amanhã.
— Mark, eu sou seu pai! — Sussurrei, indignado. — Cadê a solidariedade masculina?
— Boa noite, pai. — Ele começou a fechar a porta. — Ah, e não liga a TV lá embaixo alto, tá? Leah disse que castigo é sem TV.
A porta se fechou na minha cara pela segunda vez em cinco minutos.
Fiquei sozinho no corredor.
Eu, Markus Blackwood, estava sendo exilado para a sala de estar pelo meu próprio filho e pela minha noiva.
Caminhei arrastando os pés até a escada.
— Inacreditável. — Resmunguei para o nada. — Eu vou construir o casamento mais incrível da história, e é assim que sou tratado.
Cheguei à sala. O sofá italiano de design minimalista olhou para mim. Ele parecia bonito. E incrivelmente desconfortável.
Joguei o travesseiro em uma das pontas e me deitei, tentando encontrar uma posição onde minhas pernas não ficassem penduradas.
— Ótimo. — Falei para o teto alto da cobertura. — Maravilhoso. Pelo menos tenho a vista.
Cinco minutos depois, minhas costas começaram a doer.
— Eu te amo, Leah. — Sussurrei no escuro, irritado. — Mas você me paga.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!