LEAH HAMPTON
Passei a noite de segunda-feira andando de um lado para o outro na sala, ensaiando defesas, argumentos legais e pedidos de desculpas que eu não sentia de verdade.
Terça-feira, 07:55.
O corredor da administração no último andar era opressor. O carpete era grosso demais, abafando meus passos. O silêncio era estranho, sem bipes, sem gritos e sem macas. Apenas o zumbido do ar condicionado central e o cheiro de dinheiro e cera de móveis.
Eu não estava de pijama cirúrgico. Vestia minha calça social preta, uma blusa de branca e meu jaleco, lavado e passado.
Parei em frente à porta. Minhas mãos estavam suadas. Sequei-as discretamente na lateral da calça.
Respirei fundo. Três segundos para inspirar. Três para expirar.
Bati.
— Entre.
Girei a maçaneta e entrei.
O escritório era vasto, com janelas que revelavam uma vista panorâmica de Manhattan.
Markus estava sentado atrás de sua mesa. Ele usava um terno cinza chumbo e estava lendo um documento, caneta tinteiro em punho, e não levantou os olhos imediatamente.
— Dra. Hampton. — Ele disse meu nome, apesar de não ter olhado para ter certeza de que era eu. Com a mão livre, apontou para a cadeira de couro à frente da mesa. — Sente-se. Devo comentar que a pontualidade é uma virtude que aprecio.
Caminhei até a cadeira e sentei, mantendo a coluna ereta e o queixo levantado.
— Bom dia, Sr. Blackwood.
Ele fez uma anotação final, fechou a pasta e entrelaçou os dedos sobre a mesa, finalmente me encarando.
— Como foi sua folga? Recuperada?
— Sim. Obrigada. Estou pronta para voltar ao trabalho.
— Ótimo. Porque a carga de trabalho neste hospital está prestes a mudar drasticamente. — Ele recostou-se na cadeira. — Como você deve ter percebido, estou realizando uma reestruturação agressiva. Vários contratos foram rescindidos ontem.
Engoli em seco. Lá vem.
— O Dr. Torres, antigo Chefe de Cirurgia, foi desligado da instituição — Markus continuou, com seu tom casual e indiferente. — A incompetência e a negligência dele não eram mais compatíveis com a minha visão. Por isso te chamei aqui, Leah, porque precisamos discutir o seu futuro nesta instituição.
Droga, não posso ser dispensada tão facilmente como o Paulo.
— Olha, Sr. Blackwood, eu sinto muito! — Interrompi, inclinando-me para frente. — Eu sei que eu errei. Eu sei que fumar no terraço é uma violação grave do código de segurança, e eu juro que nunca mais vou acender um cigarro num raio de cinco quilômetros deste hospital, na verdade nunca mais vou fumar em lugar nenhum. E sobre o que eu disse e os comentários sobre a administração... eu não estava falando sobre o senhor, naquele momento não sabia que tinham mudado o diretor.
— Então... eu não estou demitida?
— Longe disso. — Markus pegou uma pasta preta grossa e a deslizou pela mesa até parar na minha frente. — Com a saída imediata e sem honras de Paulo Torres, a posição de Chefe de Cirurgia está vaga.
Ele me olhou nos olhos.
— Eu preciso de alguém que tome decisões difíceis em frações de segundos. Alguém que tenha a coragem e a audácia de abrir um peito humano com um bisturi sem esperar permissão burocrática quando uma vida está em jogo.
Olhei para a pasta preta, depois para ele. Minhas mãos tremiam, mas agora por um motivo diferente.
— O senhor está...
— Estou te oferecendo o cargo, Leah. — Ele disse, direto, sem rodeios. — Quero você como minha Chefe de Cirurgia. Você vai responder diretamente a mim. Terá autonomia total para reestruturar a equipe, contratar, demitir os incompetentes e estabelecer novos protocolos. Terá o dobro do seu salário atual, mas também terá o triplo de dor de cabeça.
Ele esperou, observando cada microexpressão no meu rosto.
— Eu sei que é um salto gigantesco. Vão dizer que você é jovem demais. Vão dizer que é nepotismo, ou que você dormiu com o chefe. — ele arqueou uma sobrancelha ironicamente — Ou que foi apenas sorte. Mas eu vejo seu potencial.
Ele estendeu a mão direita sobre a mesa, a palma aberta, num convite que parecia um pacto.
— E então, Dra. Hampton? Você aceita a missão de consertar este hospital comigo, ou prefere apenas continuar reclamando da administração no terraço?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!