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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 3

MARKUS BLACKWOOD

Sábado de manhã. O dia que eu mais temia na semana tinha chegado: a visita supervisionada de Patrícia.

O local determinado pelo tribunal era um centro de convivência familiar neutro, um prédio de tijolinhos no centro da cidade. Estacionei o carro e olhei para Mark pelo retrovisor. Ele estava quieto, segurando seu boneco do Batman.

— Lembra do combinado, campeão? — perguntei, virando para ele. — A Sra. Ramirez vai estar com você o tempo todo. Se você quiser ir embora, é só falar para ela.

— Eu sei, pai. — Mark suspirou.

— São só quatro horas.

— Tudo bem.

Desci do carro, tirei-o da cadeirinha e caminhamos até a entrada. A assistente social, uma mulher de meia-idade com ar bondoso, já nos esperava. Entreguei a mochila do Mark e dei um abraço rápido nele.

— Vou estar por perto — menti. Eu precisava sair dali para resolver o local do casamento, mas ele não precisava saber disso.

Assim que a porta de vidro se fechou atrás dele, girei nos calcanhares e caminhei apressado para o carro. Eu tinha um cronograma apertado. Lizzy estava me esperando a dez quadras dali para a maratona de visitas aos locais.

Entrei no carro e liguei o motor. Antes que eu pudesse engatar a marcha, alguém bateu no vidro do motorista.

Olhei para o lado e vi Patrícia.

Ela estava usando óculos escuros enormes e um sorriso que não chegava aos olhos. Abaixei o vidro apenas o suficiente para ouvir.

— O que você quer, Patrícia? Seu tempo é com o Mark, não comigo. Ele já entrou.

— Só queria dar os parabéns — ela disse, apoiando as mãos na lataria do meu carro. — Ótima jogada essa do noivado. Conseguiu convencer completamente o juiz.

— Não foi uma jogada, Patrícia. A Leah é a mulher da minha vida.

— Ah, por favor, Markus. — Ela riu, desdenhosa. — Nós sabemos que você só fez isso pela guarda. Daqui a seis meses, quando a poeira baixar, você descarta ela.

— Você está errada. De novo. Nós vamos casar muito antes do que você imagina.

O sorriso dela vacilou.

— Como assim?

— Infelizmente não posso ficar para explicar. Tenho um compromisso. — Apertei o botão para subir o vidro.

Arranquei com o carro, deixando-a parada na calçada com cara de confusão.

— É um celeiro, Lizzy — rebati, passando o dedo numa viga e vendo poeira. — Ela não pode arrastar aquele vestido de seda num chão de terra batida. E trazer o buffet para cá seria um grande problema.

— Você é muito chato, sabia? — Ela bufou.

— Sou exigente. Próximo.

O quarto local ficava no topo de um edifício histórico, um jardim secreto no meio da cidade.

Assim que o elevador se abriu, nós dois paramos.

Era um terraço cercado por vidro, com vista 360 graus de Nova York. Mas o interior era um jardim botânico exuberante. Hera subia pelas colunas de pedra, árvores pequenas criavam caminhos naturais, e havia uma fonte de água no centro que abafava o som da cidade. Urbano, mas natural.

— Uau — Lizzy sussurrou.

— É aqui — falei, sentindo aquela certeza absoluta no peito. — É perfeito.

— Tem espaço para a pista de dança ali, a cerimônia perto da fonte... — Lizzy já estava planejando. — Markus, ela vai adorar. É lindo.

Comecei a conversar com o gerente do espaço, acertando datas, menus e decoração. Fiquei tão imerso nos detalhes que perdi a noção do tempo. O celular, esquecido no bolso do paletó que eu tinha tirado e deixado numa cadeira, vibrou incessantemente.

Quando peguei o aparelho e vi as chamadas da assistente social e de Leah, percebi que eu era um homem morto.

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