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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 3

LEAH HAMPTON

O som das explosões do videogame preenchia a sala de estar, se juntando aos gritos ocasionais de Mark quando ele vencia uma fase difícil.

— Vai, Mark! Pula na cabeça do cogumelo! — Incentivei, deitada no sofá com os pés para o alto, ainda de pijama cirúrgico. Eu tinha chegado há uma hora.

— Consegui! — Mark levantou os braços. — Leah, você viu? Eu sou um mestre!

— Vi sim, mestre dos controles. — Ri, espreguiçando-me.

Olhei para o relógio na parede. 20:30.

Markus ainda não tinha chegado.

Isso não era comum. Ele sempre mandava mensagem se fosse atrasar. "Reunião estendeu", "Trânsito no túnel", "Compre o jantar que eu chego logo". Hoje? Nada. Silêncio total desde as quatro da tarde.

— Mark, seu pai falou com você hoje?

— Não. — Ele nem tirou os olhos da tela.

Franzi a testa. Peguei meu celular. Nenhuma notificação. Liguei para o escritório dele. Caixa postal.

Aquele friozinho na barriga começou a subir. Levantei e fui até a cozinha. O jantar que a Sra. Higgins tinha deixado estava frio sobre o balcão. Coloquei no microondas.

Ouvi o barulho da porta da frente se abrindo.

O alívio foi imediato.

— Markus? — Chamei, saindo da cozinha.

Ele estava entrando, tirando o paletó com uma pressa estranha. O cabelo estava despenteado, e ele parecia... nervos

— Oi. — Ele disse, um pouco sem fôlego. — Desculpe o atraso.

— Onde você estava? Eu liguei, mandei mensagem... Fiquei preocupada. Aconteceu alguma coisa?

— Não, não! — Ele respondeu rápido demais. — Nada aconteceu.

— Então? — Insisti.

Markus hesitou. Ele afrouxou a gravata, desviando o olhar para o Mark na sala por um segundo antes de voltar para mim.

"Investidores no Queens"? "Fornecedor"? Aquilo não fazia o menor sentido. Markus odiava microgerenciamento.

Minhas mente começou a pensar em opções.

Opção A: Ele estava com problemas financeiros e não queria me contar. Conclusão: Improvável, o hospital ia muito bem.

Opção B: Ele estava doente e foi a um especialista escondido. Conclusão: Ele parecia saudável demais para isso.

Opção C: Ele estava preparando alguma surpresa.

Olhei para a escada. Surpresa? O aniversário dele estava longe. O meu também. Natal já tinha passado.

Talvez fosse apenas estresse. Talvez ele só precisasse de um tempo sozinho para dirigir e pensar, e inventou a desculpa do Queens.

Balancei a cabeça, decidindo não pressionar. Se ele quisesse falar, falaria. Tínhamos prometido "sem segredos", mas todo mundo precisa de um pouco de espaço mental de vez em quando.

Decidi aceitar sua resposta. Por enquanto.

Mas meus instintos diziam que Markus Blackwood estava tramando alguma coisa. E eu vou descobrir o que é.

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