MARKUS BLACKWOOD
Deixei o hospital mais cedo do que o habitual, delegando a reunião de orçamento para o Dr. Aris com a desculpa de "urgências pessoais inadiáveis". Não era mentira. O que eu tinha para fazer era, de fato, urgente e extremamente pessoal.
Dirigi até a casa de Stella.
Sai do carro e toquei a campainha.
Stella abriu a porta, equilibrando um cesto de roupa suja no quadril e segurando um telefone no ombro. Ela parou, boquiaberta, quando me viu.
— Markus? — Ela sussurrou, deixando o telefone escorregar. — Aconteceu alguma coisa?
— Não, está tudo bem. — Tranquilizei-a rapidamente. — Eu preciso falar com você. E com a Lizzy, se ela estiver por perto.
Stella semicerrou os olhos, analisando meu rosto.
— Lizzy! — Ela gritou para dentro da casa. — Desce aqui!
Cinco minutos depois, estávamos sentados na mesa da cozinha. Havia café fresco e biscoitos que as crianças tinham deixado.
— Então... — Lizzy começou, cruzando os braços. — Você veio até aqui numa terça-feira à tarde, sem nossa Leah. Qual o motivo?
— Um segredo. — Admiti, me inclinando sobre a mesa. — Quero casar com a Leah.
Stella revirou os olhos, rindo.
— Isso a gente já sabe, bonitão. Vocês estão noivos. Vi o anel. É lindo, por sinal.
— Não. — Corrigi, sério. — Eu quero casar com ela em breve. Em um mês. E quero que seja surpresa.
O silêncio na cozinha foi imediato. As duas trocaram olhares rápidos.
— Surpresa? — Stella repetiu. — Tipo... ela chega na festa achando que é um aniversário e, bum, tem um padre?
— É, algo assim. — Expliquei meu raciocínio. — Leah me confessou que a ideia de planejar um casamento a deixa exausta. Ela quer pular a parte chata e ir direto para a celebração. Eu tenho os recursos e tenho a vontade. Mas eu não tenho o gosto dela para detalhes pessoais. Por isso, preciso de vocês.
Lizzy abriu um sorriso pequeno que foi se alargando até virar uma expressão de pura alegria maquiavélica.
— Um mês? É insano. É loucura. — Ela bateu na mesa. — Eu aprovo!
— Stella... — Olhei para ela. — Isso é incrível. Eu vou reembolsar você, é claro, e...
— Nem ouse. — Ela apontou o dedo para mim. — Esse é o meu presente para ela. O noivo rico pode pagar a festa e o buffet, mas o vestido é meu presente.
Sorri, derrotado e grato.
— Obrigado. De verdade. Ela vai ficar linda.
— Vai. — Lizzy suspirou. — Vai ser a noiva mais linda de Nova York.
Olhei para o vestido mais uma vez.
— Dizem que dá azar o noivo ver o vestido antes do casamento. — Comentei, meio brincando.
— Azar é ver a noiva dentro do vestido antes da hora. — Lizzy corrigiu, fechando a capa rapidamente. — O cabide não conta. Agora vamos descer, Sr. Blackwood. Temos um casamento para planejar em trinta dias e muita coisa para esconder da mulher mais observadora do mundo.
Agora, a parte difícil era: mentir para Leah por quatro semanas.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!