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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 3

MARKUS BLACKWOOD

A casa tinha sons eletrônicos de explosões e chutes na bola que vinham da sala de estar.

Mark estava sentado no tapete, com o controle do videogame na mão, a língua levemente para fora em concentração total. Ele estava jogando FIFA.

— E aí, campeão? — cumprimentei, afrouxando a gravata. — Ganhando ou perdendo?

— Ganhando, óbvio — ele respondeu sem tirar os olhos da TV. — 3 a 0 no Real Madrid. Sou imbatível.

— Modesto também — ri, bagunçando o cabelo dele.

Olhei ao redor. A casa estava organizada, mas faltava algo...

— Cadê a Leah? — perguntei, sentando no braço do sofá. — O carro dela não estava lá embaixo.

Mark apertou os botões freneticamente, fazendo seu jogador driblar dois zagueiros virtuais.

— Saiu. Com a tia Lizzy e a tia Stella.

— Ah, vai ser noite das meninas? — Leah merecia. O trabalho não estava fácil.

— Acho que sim — Mark deu de ombros. — Elas vieram aqui, fizeram uma bagunça, a tia Stella disse que ela tinha que ir logo e arrastaram ela pro carro.

— E disseram para onde iam?

Mark fez um gol e comemorou com um gritinho contido antes de responder.

— Shopping.

— Fazer compras?

— É. — Ele pausou o jogo para beber um gole de suco. — A tia Stella falou que elas iam ver vestido de noiva.

— Como é que é? — perguntei, achando que tinha ouvido errado por causa do barulho da torcida virtual na TV.

— Vestido de noiva. Sabe? Aqueles brancos, grandes? A tia Lizzy disse que ela precisava experimentar logo.

Senti meu coração dar um solavanco estranho.

— Vestido de noiva... Você tem certeza, filho?

— Tenho. Elas tavam falando disso o tempo todo. "Ah, vamos encontrar o vestido ideal..." — Ele imitou a voz da Stella fazendo uma careta engraçada. — Pai, posso comer pizza hoje?

Será que eu estava sendo muito devagar? Será que ela estava esperando que eu tomasse a iniciativa de marcar a data e, como eu não fiz, as minhas cunhada intervieram?

Eu amava aquela mulher com uma ferocidade que me assustava. Eu já vivia com ela. Já dividíamos as contas, a cama, a criação do meu filho. Na prática, já éramos casados.

Então, por que esperar?

Entrei no chuveiro, deixando a água quente cair sobre a minha cabeça, tentando organizar os pensamentos.

Se ela quer casar logo, eu sou o homem mais sortudo do mundo. Eu não preciso de cinco anos, não preciso nem de cinco meses. Se ela quisesse casar amanhã no cartório, eu estaria lá de terno e gravata antes de o sol nascer.

Mas eu precisava ter certeza. Não queria pressioná-la se fosse apenas uma brincadeira daquelas malucas e eu sabia que Stella era capaz de tudo. Mas se fosse um desejo real da Leah...

Fechei a torneira, enrolei a toalha na cintura e saí do banheiro, decidido.

Eu preciso descobrir, só tenho que ser sutil. Não podia chegar e dizer: "Ei, soube que você estava provando vestidos, vamos marcar a igreja para sábado?".

Eu preciso sondar.

Vesti uma calça de moletom e uma camiseta branca. Sequei o cabelo com a toalha.

Decidido. Quando ela chegar, vou descobrir qual é o seu desejo.

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