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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 3

MARKUS BLACKWOOD

O nó da minha gravata Windsor estava perfeito, embora a sensação de falta de ar fosse constante desde que acordei.

Leah apareceu atrás de mim no reflexo.

— Você está pronto? — Ela perguntou, deslizando as mãos pelos meus ombros e alisando o tecido do paletó.

Virei-me e segurei as mãos dela.

— Estou. Mesmo que a ideia de ter o destino do Mark nas mãos de um estranho de toga...

— O juiz não é um inimigo, Markus. Ele está lá para proteger a criança. — Leah apertou minhas mãos. — E quando ele olhar para os fatos, a escolha será óbvia.

— Espero que você esteja certa. Patrícia é uma atriz consumada. E tribunais de família tendem a favorecer a mãe biológica, não importa quão instável ela seja.

— Não pense negativo. Vamos logo.

O trajeto até o tribunal foi silencioso. Mark não estava conosco. Por orientação do meu advogado, ele tinha sido levado por uma assistente social de confiança para uma sala especial no fórum, projetada para crianças, onde ficaria brincando longe do ambiente tóxico da sala de audiência.

No corredor do terceiro andar, avistei o "time" adversário.

Patrícia estava parada perto da porta da sala. E, como eu previra, ela estava irreconhecível. As roupas de luxo e os decotes tinham desaparecido. Em seu lugar, ela vestia um vestido bege recatado, cardigã, sapatos baixos e maquiagem mínima. O cabelo loiro estava solto, num estilo simples. Ela parecia a imagem da "mãe sofredora e arrependida".

Ao lado dela, um advogado que eu conhecia de reputação. Um tubarão conhecido por jogar sujo e transformar pais dedicados em monstros alienadores.

Patrícia nos viu. O olhar dela cruzou com o meu, depois, ela olhou para Leah, e seus olhos fixaram na aliança de noivado. Vi a mandíbula dela trincar.

— Markus. — Ela cumprimentou, a voz suave, perfeita para a audiência ao redor. — Eu só quero o melhor para o nosso filho.

Segurei a mão de Leah e passei por ela como se fosse invisível.

— Guarde seu fingimento para o juiz, Patrícia.

Entramos na sala.

Vance continuou, pintando Patrícia como uma vítima das circunstâncias e eu como um tirano controlador que terceirizava a paternidade para babás e amantes. Ele mostrou a foto do detetive de Leah e Mark no parque, como se fosse prova de um crime, e não de amor.

— O Sr. Blackwood trata a família como uma empresa: ele demite a mãe e contrata uma substituta. Isso é instável e danoso. Por isso pedimos a guarda integral imediata.

Dr. Aris levantou-se com uma calma que diferia violentamente com o teatro de Vance. Ele ajeitou o paletó e olhou diretamente para o juiz.

— Excelência — Aris começou. — A acusação fala em uma "série de namoradas", mas a matemática não sustenta essa retórica. Mark vive sob a guarda exclusiva do meu cliente há apenas quatro meses. Nesse período, a única presença feminina introduzida em sua rotina foi a Dra. Hampton.

Aris caminhou até a mesa, pegando uma pasta grossa e erguendo-a.

— Por outro lado, a mãe, Patrícia, parece ter uma definição bastante flexível de estabilidade. As provas documentais, extraídas de suas próprias redes sociais públicas e anexadas como Prova B, mostram o menor sendo apresentado a, pelo menos, três parceiros diferentes no ano anterior à sua partida repentina para Dubai. Se há uma "porta giratória" de figuras parentais aqui, Excelência, ela definitivamente não está na casa do Sr. Blackwood.

Ele deixou a pasta sobre a mesa do juiz, enquanto Patrícia se encolhia visivelmente na cadeira.

— O que temos aqui não é alienação, e sim proteção. E para esclarecer os fatos sobre a rotina da criança, chamo ao estrado o Sr. Markus Blackwood.

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