LEAH HAMPTON
O som da fita adesiva sendo rasgada anunciou o fechamento da última caixa de papelão.
Passei a mão pela testa, sentindo o suor frio do cansaço. Olhei ao redor.
Meus livros já tinham ido. Minhas roupas. Minha cafeteira amada. Até a poltrona que Markus detestava, mas aceitou levar.
Era estranho. Eu deveria sentir tristeza. Deveria sentir aquele aperto de despedida. Mas, enquanto eu olhava para a chave na minha mão, pronta para deixá-la na portaria para a imobiliária, tudo o que eu sentia era uma alegria vibrante.
— Tchau, apartamento. — Sussurrei para a sala. — Obrigada por tudo. Mas eu tenho um lugar melhor para ir.
Peguei minha bolsa, apaguei as luzes e fechei a porta.
Cheguei ao prédio e entrei no elevador privativo. Encostei a cabeça no espelho enquanto subia, fechando os olhos por um momento. Eu precisava de um banho.
O elevador subiu suavemente. O sinal sonoro indicou que cheguei à cobertura e as portas se abriram.
Abri os olhos, mas fui recebida pela penumbra. E por um perfume.
Um cheiro doce, intenso e maravilhoso de rosas frescas me atingiu.
Dei um passo para fora do elevador e parei, paralisada.
O chão estava coberto por rosas vermelhas nas bordas, brancas no centro, criando um caminho que guiava meu olhar para dentro da sala.
E as velas. Dezenas, espalhadas pelo chão.
— Markus?
Ninguém respondeu.
Laguei minha bolsa ali mesmo, no chão, sem me importar.
Comecei a caminhar.
Era surreal. Eu me sentia a protagonista de um daqueles filmes que eu jurava que eram bregas demais. Mas, vivendo aquilo agora... não era brega. Era um sonho.
Segui o caminho de flores. Ele contornava o sofá, passava pela mesa de jantar e seguia até o grande janelão da sala de estar, onde a vista de Nova York era mais bonita.
E lá estavam eles.
Markus e Mark.
Parei a alguns metros de distância. Markus estava vestindo um terno preto, sem gravata, com a camisa branca aberta no colarinho. Ele estava lindo de doer.
Mark estava parado ao lado do pai, vestindo uma camisa social branca um pouco grande demais para ele e segurando um buquê de tulipas com as duas mãos, apertando os caules como se a vida dele dependesse daquilo.
Os dois olhavam para mim.
— Oi. — Consegui dizer, com lágrimas já embaçando minha visão.
Markus deu um passo à frente, ele olhou para Mark e fez um sinal com a cabeça.
— Markus... — Solucei.
— Você aceita se casar comigo?
Eu mal conseguia respirar. A alegria era tanta que doía o peito.
— Sim! — Minha voz saiu num grito abafado. — Sim, Markus! Mil vezes sim!
Ele sorriu, tirou o anel da caixa e, com a mão tremendo, deslizou-o pelo meu dedo. Serviu perfeitamente.
Markus se levantou e eu me joguei nos braços dele. Beijei ele, sem me importar com a maquiagem borrada ou o cansaço da mudança.
— Eu te amo. — Falei contra a boca dele. — Eu te amo muito.
— Eca! Beijo na boca! — A voz de Mark cortou o momento romântico.
Nós nos separamos, rindo. Mark estava com as mãos nos olhos, espiando por entre os dedos.
— Vem cá, seu crítico de beijos. — Markus chamou, abrindo um braço para ele.
Mark correu e se juntou ao abraço.
Markus beijou minha testa, depois a testa do Mark.
— Agora nós somos oficiais. — sua voz estava cheia de satisfação. — O time está completo.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!