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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 3

MARKUS BLACKWOOD

— O Mark... — Comecei, olhando para a escada.

— Eu mandei ele subir depois que Patrícia gritou com ele. — Passei a mão pelo cabelo.

Começamos a caminhar em direção à escada.

— Ele provavelmente já jantou, certo? — Leah perguntou.

— Não. Ele deve estar com fome.

— Pizza? — Leah sugeriu, com aquele brilho conspiratório nos olhos. — Acho que a noite pede comida de conforto.

— Outra teoria médica freestyle? — Ri fraco.

— Essa é baseada em evidências da minha própria vida. — Ela piscou. — Mas antes da pizza, precisamos conversar com ele.

Parei no primeiro degrau da escada.

— Conversar sobre o quê?

— Não podemos mais tratar isso como "assunto de adulto". A audiência é quarta-feira. Ele tem quatro anos, mas não é bobo. Sei que achamos que está claro o que ele quer, mas seria melhor perguntar com quem Mark quer ficar.

— Ele é muito pequeno, Leah.

— Mark não devia pensar que o destino dele é uma loteria que ele não controla. — Ela argumentou, suavemente. — Ele precisa saber que a voz dele importa. Mesmo que a decisão final seja do juiz, ele precisa saber que nós o escutamos. Que nós nos importamos com o que ele quer, não apenas com o que nós queremos.

— Você tem razão. — Suspirei, assentindo. — Vamos perguntar.

Subimos as escadas. A porta do quarto de Mark estava fechada.

Bati levemente.

— Mark? — Chamei. — Podemos entrar?

— Pode...

Abri a porta.

O quarto estava mergulhado na luz azulada de um abajur do Buzz Lightyear. Ele estava sentado na cama, abraçado aos joelhos, olhando para a janela escura.

Os olhos cinzentos estavam vermelhos e inchados, mas secos.

— A mamãe foi embora?

Entrei no quarto e sentei na beira da cama. Leah sentou-se do outro lado, cercando-o.

— Foi, filho. — Respondi, passando a mão pelas costas dele. — A confusão acabou.

Mark assentiu, olhando para os próprios pés descalços.

— Ela estava brava.

— Ela estava... emotiva. — Tentei suavizar, embora "desequilibrada" fosse a palavra certa.

— Mark... — Leah começou. — Que jantar pizza com a gente?

Mark levantou a cabeça, o interesse despertando timidamente.

— Tá bom. — Ele descruzou as pernas e escorregou da cama. — Eu tô com fome mesmo.

Descemos juntos. Enquanto eu pedia a pizza pelo aplicativo, Leah ajudou Mark a lavar o rosto e as mãos.

Quando a pizza chegou, vinte minutos depois, sentamos não na mesa de jantar formal, mas no balcão da cozinha.

Mark comeu o primeiro pedaço com vontade, o humor melhorando visivelmente.

Eu troquei um olhar com Leah. Agora.

— Aí você dorme aqui, vai para a escola daqui, e visita a mamãe quando ela puder.

Mark assentiu devagar.

— Eu quero ficar aqui, pai. — Ele disse, com firmeza. — Eu gosto da minha cama e eu gosto da Leah. A mamãe não tem Leah.

Senti a mão de Leah apertar a de Mark. Vi os olhos dela brilharem com lágrimas não derramadas.

— Eu quero ficar com vocês. — Mark repetiu, mais alto dessa vez. — Por favor. Não deixa eu ir.

— Não vou deixar. — Prometi. — Vou lutar com tudo o que eu tenho para você ficar.

Leah pigarreou, limpando a garganta para a voz não falhar.

— Mark, querido... se o juiz quiser perguntar sua opinião... você teria coragem de dizer isso para eles? Dizer que você escolhe ficar aqui?

Mark pensou por um segundo. A ideia de falar com um estranho parecia assustadora.

— O juiz é bravo?

— Não. — Leah sorriu. — Ele só quer saber o que deixa você feliz. É como... como escolher o sabor do sorvete. Só você sabe do que você gosta. — Leah realmente era uma especialista com crianças. Sempre me surpreendo.

Mark assentiu, tomando coragem.

— Eu falo. Eu digo que eu quero ficar na casa do papai e da Leah.

— Obrigado, filho. — Falei, emocionado. — Você é muito corajoso.

— Posso tomar o refrigerante agora?

Ri, uma risada de alívio puro.

— Pode. Pode tomar o refrigerante.

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