MARKUS BLACKWOOD
— O Mark... — Comecei, olhando para a escada.
— Eu mandei ele subir depois que Patrícia gritou com ele. — Passei a mão pelo cabelo.
Começamos a caminhar em direção à escada.
— Ele provavelmente já jantou, certo? — Leah perguntou.
— Não. Ele deve estar com fome.
— Pizza? — Leah sugeriu, com aquele brilho conspiratório nos olhos. — Acho que a noite pede comida de conforto.
— Outra teoria médica freestyle? — Ri fraco.
— Essa é baseada em evidências da minha própria vida. — Ela piscou. — Mas antes da pizza, precisamos conversar com ele.
Parei no primeiro degrau da escada.
— Conversar sobre o quê?
— Não podemos mais tratar isso como "assunto de adulto". A audiência é quarta-feira. Ele tem quatro anos, mas não é bobo. Sei que achamos que está claro o que ele quer, mas seria melhor perguntar com quem Mark quer ficar.
— Ele é muito pequeno, Leah.
— Mark não devia pensar que o destino dele é uma loteria que ele não controla. — Ela argumentou, suavemente. — Ele precisa saber que a voz dele importa. Mesmo que a decisão final seja do juiz, ele precisa saber que nós o escutamos. Que nós nos importamos com o que ele quer, não apenas com o que nós queremos.
— Você tem razão. — Suspirei, assentindo. — Vamos perguntar.
Subimos as escadas. A porta do quarto de Mark estava fechada.
Bati levemente.
— Mark? — Chamei. — Podemos entrar?
— Pode...
Abri a porta.
O quarto estava mergulhado na luz azulada de um abajur do Buzz Lightyear. Ele estava sentado na cama, abraçado aos joelhos, olhando para a janela escura.
Os olhos cinzentos estavam vermelhos e inchados, mas secos.
— A mamãe foi embora?
Entrei no quarto e sentei na beira da cama. Leah sentou-se do outro lado, cercando-o.
— Foi, filho. — Respondi, passando a mão pelas costas dele. — A confusão acabou.
Mark assentiu, olhando para os próprios pés descalços.
— Ela estava brava.
— Ela estava... emotiva. — Tentei suavizar, embora "desequilibrada" fosse a palavra certa.
— Mark... — Leah começou. — Que jantar pizza com a gente?
Mark levantou a cabeça, o interesse despertando timidamente.
— Tá bom. — Ele descruzou as pernas e escorregou da cama. — Eu tô com fome mesmo.
Descemos juntos. Enquanto eu pedia a pizza pelo aplicativo, Leah ajudou Mark a lavar o rosto e as mãos.
Quando a pizza chegou, vinte minutos depois, sentamos não na mesa de jantar formal, mas no balcão da cozinha.
Mark comeu o primeiro pedaço com vontade, o humor melhorando visivelmente.
Eu troquei um olhar com Leah. Agora.
— Aí você dorme aqui, vai para a escola daqui, e visita a mamãe quando ela puder.
Mark assentiu devagar.
— Eu quero ficar aqui, pai. — Ele disse, com firmeza. — Eu gosto da minha cama e eu gosto da Leah. A mamãe não tem Leah.
Senti a mão de Leah apertar a de Mark. Vi os olhos dela brilharem com lágrimas não derramadas.
— Eu quero ficar com vocês. — Mark repetiu, mais alto dessa vez. — Por favor. Não deixa eu ir.
— Não vou deixar. — Prometi. — Vou lutar com tudo o que eu tenho para você ficar.
Leah pigarreou, limpando a garganta para a voz não falhar.
— Mark, querido... se o juiz quiser perguntar sua opinião... você teria coragem de dizer isso para eles? Dizer que você escolhe ficar aqui?
Mark pensou por um segundo. A ideia de falar com um estranho parecia assustadora.
— O juiz é bravo?
— Não. — Leah sorriu. — Ele só quer saber o que deixa você feliz. É como... como escolher o sabor do sorvete. Só você sabe do que você gosta. — Leah realmente era uma especialista com crianças. Sempre me surpreendo.
Mark assentiu, tomando coragem.
— Eu falo. Eu digo que eu quero ficar na casa do papai e da Leah.
— Obrigado, filho. — Falei, emocionado. — Você é muito corajoso.
— Posso tomar o refrigerante agora?
Ri, uma risada de alívio puro.
— Pode. Pode tomar o refrigerante.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!