MARKUS BLACKWOOD
— Você agrediu ela? — Ela perguntou, o tom sugerindo que a ideia era tão absurda quanto eu ter voado pela janela.
Cruzei os braços, sustentando o olhar da minha mulher. A pergunta dela não tinha um pingo de dúvida, era apenas a incredulidade de quem conhece o caráter do homem com quem dorme.
— Ela tropeçou na própria ambição, Leah. — Respondi, a voz seca. — E eu simplesmente sai da frente.
Patrícia soltou um gemido agudo, tentando capitalizar a atenção.
— Mentira! Ele me jogou! — Ela olhou para Leah com os olhos marejados, apelando para uma solidariedade feminina que não existia. — Você é médica! Me ajude! Acho que quebrei o nariz!
Leah suspirou, jogou a bolsa no sofá e caminhou até Patrícia.
— Vamos ver. — Leah se agachou ao lado dela.
Patrícia sentou-se, ainda no chão, oferecendo o rosto para análise como uma mártir em uma pintura renascentista.
— Dói tudo... — Ela choramingou. — Ele usou muita força.
Leah segurou o queixo de Patrícia. Ela virou o rosto dela para a esquerda, depois para a direita. Tocou a ponte do nariz e as maçãs do rosto.
— Pupilas isocóricas e fotorreagentes. — Leah murmurou para si mesma. — Sem epistaxe. Sem edema imediato. Sem crepitação óssea.
Ela soltou o rosto de Patrícia e limpou as mãos na calça, como se tivesse tocado em algo contagioso.
— Diagnóstico? — Perguntei, encostando na estante.
Leah se levantou, olhando para Patrícia de cima.
— Diagnóstico: Atuação nível Framboesa de Ouro. — Ela declarou. — Se o Markus tivesse te empurrado, Patrícia, com a força e a altura dele, o vetor da força teria te jogado para trás, não para frente. Para cair de cara desse jeito, você precisou se lançar. É física básica e anatomia forense.
Patrícia abriu a boca, ultrajada.
— Você está inventando isso! Vocês estão mancomunados!
— E tem mais. — Leah continuou. — Se você tivesse caído de surpresa, seu instinto de defesa teria feito você colocar as mãos na frente para proteger o rosto. Mas suas mãos estão intactas. Você escolheu cair de cara para maximizar o drama. O que é estúpido, porque agora você terá uma queimadura na bochecha que vai demorar uma semana para sair e nenhuma base da Dior vai cobrir.
Segurei o riso. Essa é a minha garota!
Patrícia levou a mão ao rosto, horrorizada.
— Queimadura?!
— O atrito. — Leah deu de ombros. — Vai descascar. Fica horrível.
Patrícia levantou-se num pulo, esquecendo completamente a suposta dor ou o nariz quebrado. Ela correu até o espelho do hall de entrada para inspecionar o rosto.
— "Vetor de força"? — Perguntei, arqueando uma sobrancelha, um sorriso curvando meus lábios. — "Anatomia forense"?
Leah suspirou, me soltando e passando as mãos pelo rosto.
— Eu improvisei. — Ela admitiu, e vi um sorriso culpado surgindo. — A parte das pupilas isocóricas era verdade, mas o resto... pura baboseira para assustá-la. Assim ela vai saber que não está lidando com idiotas.
A puxei para os meus braços. Ela veio sem resistência, colando o corpo ao meu, apoiando a testa no meu peito.
— Você foi brilhante. — Murmurei contra o cabelo dela. — Absolutamente brilhante. A cara dela quando você falou da queimadura... impagável.
— Ela vai ficar com uma marca feia por uns dias. — Leah comentou, a voz abafada pela minha camisa. — O ego dela vai doer mais do que a bochecha.
— Que doa. — Beijei o topo da cabeça dela. — Ela tentou armar uma cena de traição e quando não deu certo, improvisou para uma de agressão. Sinceramente, Leah, se você não tivesse chegado... eu não sei se teria mantido a calma.
Leah levantou o rosto para me olhar.
— Você manteria. Te conheço muito bem.
— Melhor que qualquer um. — Concordei, capturando os lábios dela num beijo curto, mas lembrei de Patrícia caindo e dei risada. O melhor foi que Leah riu ao mesmo tempo.
— Acho que ainda vamos rir por um tempo dessa situação.
— Para alguma coisa tinha que servir.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!