MARKUS BLACKWOOD
Acordei antes de Leah. Deixei-a dormindo, exausta pela noite agitada, e desci para resolver as pendências.
A primeira ligação foi para a portaria.
— Bom dia, Sr. Blackwood. — O porteiro atendeu.
— Quem está falando? — Perguntei, seco.
— É o Romero, senhor.
— Romero. Ontem à noite, houve uma violação grave de segurança na minha unidade. — Falei, sem rodeios. — Quero deixar registrado, nesta ligação que está sendo gravada, que a Sra. Patrícia Valente não tem autorização para entrar neste apartamento.
— S-sim, senhor. Entendido.
— Se ela colocar um pé dentro desse prédio de novo sem minha autorização, Romero, eu vou processar a empresa de segurança, a administração do condomínio e você pessoalmente por negligência e facilitação de invasão. Fui claro?
Ouvi o porteiro engolir em seco do outro lado.
— Cristalino, Sr. Blackwood. Não vai acontecer de novo.
— Ótimo. Tenha um bom dia.
Desliguei.
A segunda ordem foi para a Sra. Higgins e para a babá, que chegaram pontualmente às sete.
— Ninguém entra. — Instruí, enquanto tomava meu café preto. — Se a campainha tocar, não atendam. Leah e eu temos a chave. Se for a mãe do Mark, chamem a segurança do prédio imediatamente. Não conversem e não abram a porta nem com a corrente.
As duas senhoras, que adoravam Mark e já tinham ouvido as histórias dele sobre morar com Patrícia, assentiram rapidamente.
Leah desceu pouco depois, vestida para o trabalho, linda e cheirando ao meu sabonete. Tomamos café juntos, rindo com Mark sobre o curativo no queixo e prometemos levá-lo ao parque hoje.
Quando Leah saiu para o hospital no carro dela, eu esperei cinco minutos.
Então, peguei meu celular. Havia uma mensagem não lida de um número que eu preferia poder ignorar pelo resto da vida.
Patrícia: Precisamos conversar. Sem a sua namoradinha. Café na esquina da 57, às 9h. É sobre o Mark.
Peguei as chaves do carro e saí.
Cheguei ao café às 09:05. Patrícia já estava lá, sentada numa mesa de canto, usando óculos escuros enormes.
Sentei na frente dela e não pedi nada, esperando fazer dessa a conversa mais rápida da história.
— Você está cinco minutos atrasado. — Ela disse, tirando os óculos e revelando olhos inchados e maquiagem retocada.
— Sou um homem ocupado, Patrícia. — Apoiei os braços na mesa. — Você disse que queria conversar sobre o Mark. Estou aqui.
Ela bufou, cruzando os braços e olhando para a janela.
— Foi um... mal-entendido. Um pequeno deslize.
— Deslize?
— Eu conheci um modelo. — Ela admitiu, defensiva. — Um italiano. Lindo. Ele me lembrava você, Markus. Quando você era mais jovem e menos... duro. — Ela virou-se para mim. — Eu fraquejei, ok? Eu sou humana! Eu fraquejei porque... porque eu ainda te amo..
— Você traiu o seu noivo com um modelo e a culpa é minha porque ele se parecia comigo? — Balancei a cabeça. — Seu raciocínio é fascinante, Patrícia.
— Não é raciocínio, é sentimento! — Ela inclinou-se sobre a mesa, ignorando meu sarcasmo. — Percebi que nenhum deles é você. Nenhum deles tem a sua beleza ou o seu poder. Eu voltei por você, Markus. O Mark é só... é parte do pacote. Mas eu quero a nossa família unida.
Ela tentou pegar minha mão novamente. Dessa vez, não apenas puxei. Eu me levantei.
— Não existe "nossa família", Patrícia. Existe o Mark. Existe eu. E existe a Leah.
— Você vai se cansar dela. Ela é uma médica sem graça. Eu sou a mulher da sua vida! Eu te dei um filho!
— Você me deu um filho contra a minha vontade, e depois de conhecê-lo melhor percebi que serei eternamente grato por isso. Mark é a melhor coisa que você já fez. — Ajeitei meu paletó. — Mas amor? Respeito? Parceria? Isso eu tenho, e é com a Leah.
— Você vai se arrepender. — O tom dela mudou de súplica para ameaça num piscar de olhos. — Eu não vou descansar, Markus. Eu vou lutar por você. E sou muito boa em conseguir o que eu quero.
— Tente. — Falei, olhando-a de cima. — Vamos ver quem tem mais poder. Eu também sou muito bom em conseguir o que quero. Vamos medir forças e ver quem vence.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!