LEAH HAMPTON
Olhei para Patrícia, instalada no sofá de Markus e entendi que o sorriso petulante dela era um convite à violência.
— Você está brincando, né? Você acha que pode fazer acampamento aqui na nossa sala?
— Nossa sala? — Patrícia riu, desdenhosa. — Querida, você está aqui há cinco minutos. Eu sou mãe do filho dele. Tenho mais direito a esse apartamento do que você.
Eu não sou uma pessoa violenta. Afinal, meu trabalho é salvar vidas. Mas a ideia daquela mulher dormindo no mesmo teto que eu, que Markus e que Mark, depois de tudo que ela fez ou deixou de fazer, era inaceitável.
Dei um passo em direção a ela.
— Você não vai ficar. Nem que eu tenha que te arrastar por essas extensões de cabelo loiro até o elevador.
— Tente. — Patrícia desafiou. — Eu grito e chamo a polícia. "Médica louca agride mãe indefesa". Vai ficar lindo na manchete do jornal.
Eu estava prestes a testar essa teoria quando senti uma mão forte segurar meu braço.
— Leah. — Markus me chamou, calmo demais para o meu gostou. — Isso não é necessário.
Virei-me para ele, incrédula.
— Como não é necessário? — Sibilei, apontando para a invasora. — Você vai deixar essa mulher dormir aqui?
— É claro que não. — Markus respondeu, sem tirar os olhos de Patrícia. — Mas não precisamos transformar isso numa briga de rua. Existem formas civilizadas de lidar com invasores.
Ele enfiou a mão no bolso e sacou o celular. Com o polegar, discou um número rapidamente e colocou no viva-voz, segurando o aparelho entre nós.
Patrícia revirou os olhos, entediada.
— Vai ligar para quem, Markus? Para o seu advogado? Ele deve estar dormindo.
O telefone tocou duas vezes.
— 911. Qual a sua emergência? — A voz feminina e metálica do operador preencheu a sala.
Patrícia congelou. Os olhos dela se arregalaram. Ela descruzou as pernas e a pose de rainha desmoronou instantaneamente.
— Boa noite. — Markus falou, em um tom casual de quem pede uma pizza. — Eu gostaria de reportar uma invasão de domicílio em andamento. Uma pessoa entrou na minha residência sem autorização e está se recusando a sair, fazendo ameaças de escândalo público.
— O senhor está em perigo imediato, senhor? — A operadora perguntou.
— Não imediato, mas a situação é instável. Há uma criança dormindo na casa.
Patrícia levantou-se num pulo.
— Você não teria coragem... — Ela sussurrou, pálida. — Markus, eu sou a mãe do seu filho! Você vai mandar me prender?
— Senhor, qual o endereço? — A operadora insistiu.
Markus olhou nos olhos de Patrícia e nem piscou quando começou a ditar.
— Cobertura B, Edifício...
— NÃO! — Patrícia gritou, agitando as mãos. — Pare! Desliga isso! Eu vou embora!
Markus parou. Ele levantou uma sobrancelha, esperando.
— Eu sei. — Ele beijou minha testa. — E foi lindo ver você defendendo seu território. Como você a chamou mesmo? "Lambisgoia oxigenada"?
Soltei uma gargalhada, lembrando do insulto.
— Foi a primeira coisa que me veio à cabeça. Ela mereceu.
— Mereceu muito mais. — Ele concordou, com diversão. — Você sempre tem um insulto criativo na manga?
— Ah, eu tenho um arsenal. — Provoquei, passando os dedos pela nuca dele. — Tem muitos de onde veio aquele.
— É mesmo? — Markus apertou minha cintura, puxando-me mais para cima. — Que tal você me contar o resto do arsenal no nosso quarto?
Franzi o nariz.
— Por que deveríamos falar dessa jararaca de boutique no nosso quarto?
Markus sorriu de um jeito que fazia meus joelhos fraquejarem.
— Você tem razão. — Ele concordou. — Podemos fazer coisas muito melhores do que falar.
Rapidamente Markus se abaixou e me jogou por cima do ombro, como se eu fosse um saco de batatas. Um saco de batatas muito feliz.
— Markus! — Gritei, rindo e batendo nas costas dele. — Você é um homem das cavernas?! Me põe no chão!
— Só na cama, Dra. Hampton. Só na cama.
Ele subiu as escadas comigo pendurada no ombro dele, rindo como se não houvesse nada mais engraçado.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!