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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 3

LEAH HAMPTON

— Quem é você?

— Você está batendo na minha porta às dez e meia da noite sem ser anunciada. — Respondi, seca. — Acho que a etiqueta diz que você deve se apresentar primeiro.

Ela soltou uma risada curta, jogando o cabelo para trás.

— Eu sou a Patrícia. — Ela disse o nome como se fosse um título de nobreza. — E presumo que você seja a nova babá. O Markus tem péssimo gosto para uniformes, pelo visto.

Senti meu sangue esquentar.

Ela não esperou minha resposta. Passou por mim, invadindo o apartamento.

— Fique de olho nas malas. — Ela falou por cima do ombro. — São delicadas. Traga para dentro com cuidado.

Fiquei parada na porta, olhei para as costas dela e depois para as malas no corredor.

Uma onda de incredulidade me atingiu, seguida por uma onda de pura mesquinharia deliciosa.

— Claro, senhora. — Murmurei para mim mesma.

Dei um passo para trás. Segurei a maçaneta. Olhei para as malas Louis Vuitton de trinta mil dólares sozinhas e fechei a porta na cara das malas.

— Espero que os vizinhos gostem de marcas de grife. — Sorri, satisfeita, e me virei para a sala torcendo para que roubassem.

Patrícia já estava no meio da sala, olhando ao redor com ar crítico.

Markus saiu da cozinha trazendo duas taças de vinho. Ele parou abruptamente quando viu a figura de branco parada ali.

— Patrícia? — A voz dele deixava óbvia uma irritação profunda.

Ela se virou, abrindo um sorriso radiante que não chegava aos olhos.

— Surpresa, querido!

Markus colocou as taças na mesa de centro e caminhou até ela, mas manteve uma distância segura, como se ela fosse contagiosa.

— O que você está fazendo aqui? — Ele perguntou, ríspido. — E como diabos você subiu sem o porteiro avisar?

— Ah, o porteiro... — Ela abanou a mão, desdenhosa. — Um charme e uma nota de cem dólares resolvem qualquer barreira de segurança para mim, Markus. Você deveria saber disso.

Ela deu dois passos em direção a ele, tentando beijar seu rosto, mas Markus recuou.

— O que você quer, Patrícia? Você deveria estar em Dubai. Casada.

O sorriso dela vacilou por um segundo.

— O noivado acabou. — Ela disse, simples assim. — Dubai é quente demais, o Rick era controlador demais, e eu percebi que estava cometendo um erro terrível.

Ela suspirou dramaticamente, levando a mão ao peito. Olhando para ela, acho que o tal Rick que percebeu o erro terrível que iria cometer...

— Voltei pelo meu filho. Eu quero ver o Mark. Imediatamente.

— O Mark está dormindo. E ele teve uma noite difícil.

— Difícil? — Ela franziu a testa. — O que aconteceu?

— Ele caiu e se machucou. Acabamos de fazer um curativo. Ele precisa descansar, não de uma aparição surpresa da mãe que sumiu por meses.

Patrícia revirou os olhos.

— Crianças caem o tempo todo. Não seja dramático. Onde ele está? No quarto dele?

— A segurança do prédio é ótima, mas nunca se sabe. — Dei de ombros.

— Markus! — Ela guinchou, virando-se para ele. — Você vai deixar essa mulher falar assim comigo?

— Vou. — Markus sorriu, parecendo incrivelmente satisfeito. — Na verdade, eu pagaria ingresso para ver ela falar mais.

Ele caminhou até a porta e a abriu, revelando as malas ainda intactas — infelizmente — no corredor.

— Vá embora, Patrícia. — Ele disse, cansado. — O Mark está dormindo. Você está histérica. E eu não vou acordar meu filho no meio da noite para você arrastá-lo para um quarto de hotel.

— Eu tenho direitos! — Ela gritou, caminhando até a porta. — Eu sou a mãe!

— Direitos se discutem com advogados, em horário comercial. — Markus rebateu. — Agora, saia.

Patrícia olhou para ele, depois para mim, e depois para o relógio de parede. Uma mudança calculista passou pelo rosto dela.

Ela caminhou até as malas, puxou-as para dentro com força, quase tropeçando, e bateu a porta ela mesma.

— Não. — Ela declarou, virando-se para nós.

Ela marchou até o sofá, chutou os sapatos para longe e sentou-se, cruzando as pernas e os braços.

— Eu não vou a lugar nenhum. — Ela olhou para Markus com um desafio petulante. — Se você não me deixa levar o Mark, então eu fico. Eu vou dormir aqui. Nesse sofá. E ai de vocês se tentarem me tirar à força. Eu começo a gritar e chamo a polícia dizendo que fui agredida.

Markus olhou para ela, incrédulo. Eu estava calculando a dose de sedativo necessária para derrubar uma mulher daquele tamanho.

— Você está falando sério? — Markus perguntou.

— Mortalmente. — Ela sorriu, acomodando-se nas almofadas. — Boa noite, Markus. Boa noite, coisinha. Podem apagar a luz quando subirem.

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