Entrar Via

Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 3

MARKUS BLACKWOOD

A primeira coisa que notei foi o barulho. A segunda foi o calor. Não apenas da churrasqueira, mas das pessoas.

Eu cresci em uma casa onde jantares eram eventos silenciosos, com talheres que não podiam fazer barulho no prato. Aqui, o volume médio da conversa era um grito entusiasmado.

Caminhei até a área da churrasqueira. Um homem alto, com a mesma estrutura óssea e olhos de Leah, estava virando hambúrgueres com uma espátula, usando um avental que dizia "Rei da Grelha".

— Licença. — Falei, parando ao lado dele. — O cheiro está ótimo.

Alex virou-se. Ele limpou as mãos no avental e me encarou.

— Markus Blackwood. — Ele disse, não como uma pergunta, mas como uma constatação.

— Alex Hampton. — Estendi a mão.

Ele apertou um pouco forte demais.

— Então você é o chefe. — Alex soltou minha mão e voltou para a carne. — Cerveja? — Ele apontou para o cooler com a espátula.

— Aceito.

Peguei uma garrafa gelada e abri. Mark ainda estava agarrado à minha perna, olhando para as crianças correndo com desconfiança.

— E esse é o seu filho?

— Sim. Esse é o Mark.

— E aí, garoto? — Alex sorriu para ele. — Gosta de hambúrguer ou cachorro-quente?

— Cachorro-quente. — Mark respondeu baixinho.

— Sai um especial para você em cinco minutos.

Alex tomou um gole da cerveja dele e se virou totalmente para mim, apoiando-se na churrasqueira. A postura relaxada era enganosa. O interrogatório tinha começado.

— Minha irmã é bem durona, Blackwood. — Ele começou. — Mas ela tem o coração mole pra caramba com quem ela gosta.

— Eu sei. — Assenti.

— Stella e Lizzy acham que você é um "Príncipe Encantado" pela aparência. — Alex continuou, direto. — Mas eu não ligo pra isso. Se você machucar ela, eu sei onde seu hospital fica e eu tenho muitos amigos na vigilância sanitária.

Ri, surpreso. Acho que era uma ameaça sem sentido, já que isso prejudicaria o trabalho da irmã dele também, mas eu não seria louco de apontar o furo em sua lógica.

— Anotado. — Foi tudo que respondi.

— Papai... — Mark puxou minha calça. — Eu quero ir pra casa. Tem muito barulho.

Abaixei-me, ficando na altura dele.

— Eu sei, filho. É diferente da nossa casa. Mas olha... — Apontei para o gramado. — Tem um cachorro. E tem bola.

— Mas eu não conheço ninguém. — Ele sussurrou, os olhos cinzentos cheios de ansiedade.

Nesse momento, uma bola de futebol rolou e parou nos pés de Mark.

Um menino, devia ter uns onze anos, com o cabelo despenteado, veio correndo. Ele parou quando nos viu.

Leah tinha me falado dele. Apollo. O filho mais velho de Stella. Consegui identificar que não era Orion pela camisa.

Apollo olhou para Mark. Mark olhou para Apollo.

— Recebi uma ameaça de ser denunciado à vigilância sanitária se quebrasse seu coração, mas acho que passamos da fase crítica. — Peguei o queijo, roçando os dedos nos dela.

Leah riu.

— Ele me faria perder o emprego se tomasse uma atitude dessas.

— Pensei o mesmo. — Comentei, olhando ao redor.

— É demais pra você? — Ela perguntou, com um traço de insegurança.

— De maneira nenhuma. Estou vendo um mundo onde as coisas não precisam ser perfeitas para serem muito boas.

Levei a mão ao colarinho da minha camisa polo e desabotoei o segundo botão. Relaxei os ombros, soltando a postura rígida para me encaixar na leveza do lugar.

Passei um braço na cintura dela e Leah encostou a cabeça no meu ombro, suspirando contente.

— Fico feliz. Porque a Stella já está planejando o Natal, e ela disse que você vai ter que usar um suéter combinando.

— Eu usarei o suéter. — Prometi, beijando o topo da cabeça dela. — Estou dentro, Leah.

No gramado, Mark chutou a bola e fez um gol entre dois chinelos. Ele levantou os braços, gritando para mim:

— Pai! Você viu?!

Acenei para ele, sorrindo.

— Vi, filho! Foi um golaço!

Sim, eu estava dentro. E não pretendia sair nunca mais.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!