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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 3

LEAH HAMPTON

O despertador não tocou, mas meu relógio biológico, treinado por anos de rondas na madrugada e cirurgias de emergência, me puxou do sono às seis.

Por um breve momento, senti aquela desorientação clássica de quem acorda numa cama que não é a sua. O colchão era mais firme que o meu, o lençol tinha uma contagem de fios que beirava o obsceno de tão macia, e o cheiro... de homem.

Virei o rosto no travesseiro. Markus estava dormindo de bruços, um braço jogado possessivamente sobre a minha cintura, mantendo-me colada a ele. O rosto dele estava relaxado, quase juvenil. A luz cinzenta da manhã filtrava pelas cortinas, pintando sombras suaves nas costas largas e nuas dele.

Senti um sorriso bobo, curvar meus lábios. Eu estava totalmente na dele. E, pelo visto, ele também estava na minha.

Me movi devagar para não acordá-lo, mas o braço dele apertou minha cintura reflexivamente.

— Não ouse sair daqui. — A voz dele era um murmúrio rouco, vibrando contra o travesseiro.

— Eu tenho que trabalhar, Markus. — Sussurrei, passando a mão pelo cabelo dele. — E você também.

— Eu sou o dono. Posso chegar atrasado.

— Eu sou a Chefe de Cirurgia. Se eu chegar atrasada, darei mal exemplo.

Ele resmungou algo ininteligível, abriu um olho cinzento e me encarou.

— Bom dia, Dra. Hampton.

— Bom dia, Sr. Blackwood.

— Banho? — Ele sugeriu, um brilho malicioso surgindo no olhar sonolento.

— Só se for rápido. Sem... atividades extracurriculares.

— Você é uma megera má. — Ele riu, sentando-se na cama e esticando os braços, os músculos das costas se retesaram de uma forma que me fez reconsiderar minha condição de "sem atividades extras".

O banho foi mais demorado do que planejei.

O box do banheiro dele era enorme. Entramos juntos sob o jato quente. Não houve sexo, como prometido, mas houve muita intimidade, muita mesmo. Nos beijamos em cada oportunidade que tivermos. Markus lavou minhas costas com uma esponja macia e eu lavei o cabelo dele, massageando o couro cabeludo enquanto a espuma escorria por seus ombros largos.

Ficamos ali por alguns minutos, abraçados sob a água, pele contra pele, absorvendo o calor um do outro.

— Eu poderia me acostumar com isso. — Ele murmurou no meu ouvido, beijando meu ombro molhado.

— O hábito cria dependência, Blackwood.

— Eu já estou viciado, Leah. É tarde demais para reabilitação.

Saímos do banho, nos secamos e nos vestimos. Eu coloquei a roupa que tinha na mochila, era profissional o suficiente para entrar no hospital antes de colocar o pijama cirúrgico.

Quando descemos para a cozinha, o cheiro de café fresco e torradas estava por toda a sala. A Sra. Higgins já estava lá, movendo-se eficientemente entre o fogão e a mesa.

E Mark estava sentado na ilha da cozinha, balançando as pernas, com uma tigela de cereal colorido na frente dele.

— Leah! — Ele gritou, de boca cheia, quando me viu. — Bom dia! Você dormiu aqui mesmo?

— Bom dia, Mark. — Dei um beijo no topo da cabeça dele. — Eu disse que o sofá era confortável.

Ele me olhou com desconfiança.

— Mas o sofá da sala não está amassado.

Troquei um olhar rápido com Markus, que estava servindo café. Ele escondeu um sorriso atrás da xícara.

— Mágica de arrumação, Mark. — Markus interveio, me salvando. — Coma seu cereal.

— Você subestima o machismo estrutural. — Falei, séria. — Além disso antes não me preocupava que falassem por que minha consciência estava limpa e eu não estava dormindo com meu chefe.

— Mas você está dormindo com o chefe e aproveitando cada momento. — Ele disse, com um sorriso provocador, dando um passo na minha direção. Dei um tapa forte no braço dele. — Ai! — Ele massageou o bíceps, rindo. — Violência física de novo?

— É para você parar de ser presunçoso. — Tentei manter a cara séria, mas o sorriso dele era contagiante. Droga! — Isso é sério, Markus.

Markus suspirou, a expressão suavizando. Ele segurou meu rosto com as duas mãos e os polegares acariciaram minhas bochechas.

— Eu sei que é sério. E eu respeito sua carreira mais do que tudo. — Ele me deu um selinho demorado. — Mas eu não vou deixar minha namorada pegar um carro qualquer quando eu posso levá-la.

— Markus...

— Vamos fazer assim... — Ele me interrompeu, roçando o nariz no meu. — Eu te deixo uma quadra antes. Você desce, compra seu café, caminha plena e independente, e ninguém vê o carro.

Mordi o lábio, ponderando. O cheiro dele estava me deixando tonta, e a perspectiva de mais vinte minutos com ele no carro era tentadora.

— Duas quadras. — Negociei.

— Uma quadra é suficiente. Ninguém enxerga através de prédios.

— Duas quadras, Markus. É pegar ou largar.

Ele bufou, mas sorriu.

— Você é a negociadora mais difícil que eu já enfrentei. Ok. Duas quadras. Mas se você chegar suada de tanto andar, a culpa é sua.

— É um ótimo exercício. E está frio lá fora, não vou suar.

— Vamos logo, Dra. Teimosa.

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